Eleitores alemães compareceram às urnas em duas eleições estaduais neste domingo (20), elevando a pressão sobre o chanceler Friedrich Merz. O futuro político do líder alemão já estava sob escrutínio após o avanço expressivo da extrema direita em uma votação regional anterior neste mês. As disputas em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, região rural do antigo leste comunista, e na capital Berlim ocorrem na sequência do pleito de 6 de setembro na Saxônia-Anhalt, onde a Alternativa para a Alemanha (AfD) quase obteve uma maioria absoluta.
As seções eleitorais tinham previsão de encerramento às 18h (13h de Brasília), com divulgação das primeiras pesquisas de boca de urna na sequência. Embora as pesquisas apontassem que a AfD provavelmente não repetiria o resultado da Saxônia-Anhalt nas votações deste domingo, os pleitos destacam o crescimento contínuo da legenda e alimentam debates sobre a estratégia de “cordão sanitário”, em que os partidos tradicionais evitam alianças com a sigla.
Fundada há pouco mais de dez anos, a AfD transformou-se de um movimento eurocético em uma das forças políticas mais populares do país. A legenda defende a deportação rigorosa de estrangeiros sem direito de permanência, o retorno das relações energéticas com a Rússia e a saída do euro. Para Merz, cujos índices de aprovação caíram a 14% de acordo com levantamentos recentes, o cenário representa mais um revés que gera questionamentos dentro da União Democrata-Cristã (CDU), seu partido conservador, sobre sua permanência no cargo.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a CDU corre o risco de registrar seu pior desempenho histórico. Pesquisa divulgada na sexta-feira pelo Forschungsgruppe Wahlen apontou apenas 6% das intenções de voto para os conservadores, que enfrentam a possibilidade de não atingir a cláusula de barreira para garantir representação no parlamento estadual.
Desafios econômicos e insatisfação popular
Eleito no ano passado sob a promessa de destravar a economia e combater a estagnação, Merz tem encontrado barreiras para obter apoio popular. O descontentamento com reformas em áreas como impostos, previdência e saúde gerou desgaste, agravado por falhas de comunicação do governo. No entanto, principais lideranças da CDU mantêm o respaldo ao chanceler, cientes de que uma eventual substituição esbarraria em dificuldades constitucionais e deixaria os mesmos problemas estruturais para seu sucessor.
O foco das campanhas em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental esteve voltado para o custo de vida, moradia e despesas com energia. Na sexta-feira, o chanceler anunciou um pacote de medidas voltadas ao alívio financeiro dos consumidores, incluindo cortes de impostos sobre diesel e gasolina.
Em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a disputa acirrou-se nas últimas semanas com a estratégia do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, em torno da popular governadora Manuela Schwesig. O levantamento da Wahlen colocou o SPD com 37%, seguido pela AfD com 36%, Die Linke com 9% e os Verdes com 5%. Durante o encerramento da campanha, Schwesig classificou a AfD como perigosa. Pela legenda de extrema direita, a líder nacional Alice Weidel criticou Merz e afirmou que o eleitorado tinha o poder de tirá-lo do cargo.
Em Berlim, a pesquisa indicou a liderança do partido de esquerda Die Linke com 22%, seguido pela CDU com 20%, os Verdes com 15% e o SPD com 12%. A AfD apareceu com 18%, enquanto o BSW, partido de esquerda que se colocou como único aberto a dialogar com a AfD, registrou índice inferior.
