O resultado do primeiro turno das eleições surpreendeu lideranças políticas nacionais, incluindo o presidente Lula e Geraldo Alckmin. Em declaração na noite de um domingo, Lula comentou a derrota na etapa inicial do pleito e questionou o posicionamento do eleitorado. As urnas mostraram Flávio Bolsonaro na liderança para o segundo turno com 56,1 milhões de votos, o equivalente a 47,03% do total, ao passo que Lula registrou 53,8 milhões de votos, ou 45,16%.
O candidato da oposição também manifestou surpresa com o desempenho nas urnas, alcançando uma votação superior à obtida por seu pai, o então presidente, no primeiro turno do pleito de 2022. A margem entre os dois concorrentes ficou em 2,3 milhões de votos, representando uma diferença de 1,8%, patamar semelhante ao verificado na vitória de Lula no segundo turno de 2022. Com o resultado, o filho-candidato registrou votação expressiva após a derrota de Bolsonaro no projeto de reeleição, período em que ele se tornou inelegível e condenado à prisão até o ano de 2052 por tentativa de golpe de estado.
A guinada observada na direção dos votos não havia sido captada pelas pesquisas da reta final. Contudo, os levantamentos apontaram um ambiente de desalento e apatia do eleitorado, associado a uma transição geracional em que a permanência de figuras tradicionais limitou a emergência de novidades para os 158 milhões de eleitores. Analistas apontam que a guinada não decorreu de propostas consistentes de futuro apresentadas por partidos ou candidatos, mas coincidiu com intervenções judiciais no processo eleitoral e com a crise do Supremo Tribunal Federal.
A resposta do eleitorado nas urnas também refletiu na composição do Senado, ampliando o cenário político para a oposição. O resultado conferiu à oposição um candidato presidencial em vantagem e a perspectiva de poder indicar quatro ministros para o STF. Além disso, a bancada do PL e aliados somou 44 votos no Senado, número suficiente para alcançar a maioria absoluta necessária para decisões em plenário, fixada em 41 votos.
Para pautar e aprovar o impeachment de magistrados do Supremo Tribunal Federal, o bloco oposicionista precisará conquistar a presidência do Senado em fevereiro e obter apoios adicionais de partidos de centro, buscando atingir o patamar exigido de dois terços do plenário, correspondente a 54 votos. O cenário é apontado como desafiador, porém viável diante da configuração entregue pelos eleitores ao Senado.
