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Emmanuel Macron critica Donald Trump por usar crise da França em campanha nos EUA

Presidente francês criticou o uso de problemas internos por líderes estrangeiros. País reforça segurança e impõe toque de recolher após dias de violência.

Redação•21 de out. de 2026, 08:03
Emmanuel Macron critica Donald Trump por usar crise da França em campanha nos EUA
Imagem: site

Emmanuel Macron critica Donald Trump por usar crise da França em campanha nos EUA

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O presidente da França, Emmanuel Macron, declarou nesta quarta-feira (21) que o país já enfrenta dificuldades suficientes e que não precisa que líderes estrangeiros explorem os problemas internos em campanhas eleitorais. A fala foi interpretada como uma indireta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem utilizado os protestos no território francês em meio à disputa das Eleições de Meio de Mandato.

Atualmente no Catar, Macron informou que se encontrará com os serviços de inteligência na quinta-feira (22), na véspera de novos atos convocados para o sábado (24). O mandatário francês apontou que não houve uma interferência estrangeira visível nos episódios recentes de distúrbios, mas pontuou que ocorreu manipulação de informações por parte de agentes estrangeiros após os acontecimentos.

Repercussão nos Estados Unidos

Donald Trump criticou duramente os protestos e relacionou a onda de violência à imigração. Em uma postagem na rede social Truth Social, o republicano afirmou que a França está em chamas e que a chegada de pessoas de mundos diferentes destruiu o país, defendendo o fechamento imediato das fronteiras.

Segundo a analista de Internacional da CNN Fernanda Magnotta, Trump também mencionou o cenário francês como argumento retórico em um comício realizado no Kansas. Na ocasião, o político americano declarou que os Estados Unidos teriam o mesmo destino caso os democratas conquistem a maioria no Congresso. Magnotta avalia que o discurso mistura elementos de naturezas distintas, visto que as manifestações europeias — que também alcançam países como Itália e Áustria — decorrem da insatisfação com os serviços estatais, a qualidade da educação e o encarecimento do custo de vida.

Medidas de segurança e novos protestos

As autoridades francesas anunciaram uma presença policial expressiva para os atos programados para sábado (24), além de decretarem toques de recolher localizados pela segunda jornada consecutiva. As restrições foram adotadas após distúrbios ligados à educação e ao custo de vida escalarem para uma onda de violência letal no fim de semana.

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu relatou que os toques de recolher pontuais contribuíram para manter a tranquilidade durante a noite de segunda-feira (19) para terça-feira (20). Lecornu admitiu falhas da inteligência em mensurar a gravidade da crise e reconheceu que a abordagem de segurança anterior era estática. A Prefeitura de Polícia de Paris determinou toque de recolher noturno a partir das 23h de terça-feira em zonas críticas, como os arredores da Place de la République e de Les Halles, restrição que também foi adotada em municípios como Bordeaux e Lille.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, expressou profundo pesar pelos atos violentos do fim de semana perante a Assembleia Nacional, assumindo parte da responsabilidade e culpando opositores políticos e participantes dos episódios de destruição. Enquanto isso, sindicatos como a UNEF mantiveram a convocação para as manifestações de sábado, assegurando que o movimento prosseguirá até que suas demandas sejam atendidas, ao passo que a CGT confirmou participação com foco em protestos pacíficos.

Até o momento, a onda de tumultos resultou na prisão de mais de 2 mil pessoas, em pelo menos duas mortes e em ferimentos graves, incluindo casos de mutilação em que duas pessoas perderam as mãos.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/macron-alfineta-trump-por-explorar-crise-na-franca-em-campanha-nos-eua/

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