O presidente da França, Emmanuel Macron, realiza uma visita ao território francês de São Pedro e Miquelão neste domingo (20). A viagem marca a primeira passagem de um chefe de Estado francês pelo local desde a visita de François Hollande em 2014, e tem como previsão um encontro entre Macron e o primeiro-ministro canadense, Mark Carney.
A agenda ocorre poucas semanas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicar nas redes sociais uma imagem na qual o arquipélago, além de territórios franceses no Caribe, aparecia coberto pela bandeira norte-americana e integrado aos "Estados Unidos da América". Na ocasião, o governo francês optou por não emitir resposta pública à postagem.
Autoridades da presidência francesa declararam que o deslocamento reforça a soberania do país sobre o território e ressalta os laços estreitos com o Canadá. Segundo um representante do governo francês, o local possui relevância geoestratégica por estar situado no Atlântico Norte, próximo aos Estados Unidos e ao Ártico, envolvendo temas como soberania marítima, mudanças climáticas e cooperação canadense para uma população de 5.800 habitantes.
Diplomatas apontam que o encontro acontece no trajeto de Macron rumo à Assembleia Geral anual da Nações Unidas e carrega forte peso simbólico devido à repercussão do mapa divulgado por Trump, que também envolvia o Canadá, Groenlândia, Islândia, México, América Central e Caribe.
Durante as conversas, espera-se que Macron e Carney debatam a crise energética e a aproximação do Canadá com a União Europeia, movimento intensificado após o bloco abrir espaço para que Ottawa se torne seu primeiro membro associado. No entanto, especialistas ponderam que uma integração mais profunda pode encontrar barreiras políticas, lembrando que, mesmo após mais de uma década da assinatura do CETA (Acordo Econômico e Comercial Abrangente) entre a UE e o Canadá, diversos Estados-membros do bloco europeu ainda não ratificaram o tratado, entre eles a própria França.
