NewsHub
Tecnologia

Empresa brasileira fornece criptografia para Pix e Forças Armadas

Empresa nascida na Unicamp desenvolve tecnologias de criptografia que protegem o Pix, urnas eletrônicas e redes de comunicação militar.

Redação•25 de set. de 2026, 07:56
Empresa brasileira fornece criptografia para Pix e Forças Armadas
Imagem: site

Empresa brasileira fornece criptografia para Pix e Forças Armadas

Ouça esta matéria em voz alta

A Kryptus, empresa brasileira de desenvolvimento de hardwares e softwares de criptografia, destaca-se na proteção de sistemas digitais sensíveis no país, atuando desde a segurança do Pix até a arquitetura tecnológica de órgãos governamentais e militares.

Fundada em Campinas em 2003 pelos ex-alunos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Roberto Gallo, da computação, e Henrique Kawakami, da engenharia elétrica, a companhia teve origem em um projeto de segurança para caixas eletrônicos desenvolvido em 2002. Classificada pela instituição acadêmica como uma empresa-filha, a Kryptus manteve parcerias de pesquisa com o Instituto de Computação e participou do desenvolvimento de patentes com pesquisadores da Unicamp.

As soluções da empresa integram sistemas de alta criticidade no Brasil:

  • Ajuda a proteger o Pix contra invasões.
  • Integra a arquitetura digital do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e das urnas eletrônicas.
  • Equipa o Link-BR2, rede de comunicação tática da Força Aérea Brasileira (FAB) para troca de imagens e dados de radares em tempo real entre aeronaves e bases terrestres.

Em 2020, o negócio recebeu um aporte de 20 milhões de reais do FIP Aeroespacial, fundo que reuniu recursos de Embraer, BNDES, Finep e Desenvolve SP. A resistência de seus equipamentos foi atestada por certificações internacionais, como a FIPS 140 Nível 3, padrão que exige mecanismos capazes de destruir os circuitos do hardware em caso de violação física. Já em 2022, a companhia lançou o primeiro dispositivo portátil brasileiro com criptografia pós-quântica. No ano seguinte, obteve certificação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para licitações de Forças Armadas da aliança e autorização da FAB para desenvolver sistemas embarcados em aeronaves.

Segundo o presidente da empresa, Roberto Gallo, a trajetória levou a organização a um território antes restrito a grandes fornecedores internacionais. Gallo afirma que o faturamento da Kryptus crescerá quase 70% nos próximos dois anos, ultrapassando 500 milhões de reais, impulsionado pela expansão de contratos e pelo amadurecimento de soluções de longo prazo.

O desenvolvimento nesse setor exige ciclos prolongados de pesquisa, testes e validações que podem ultrapassar uma década antes da adoção comercial por clientes dos setores financeiro, militar ou governamental. "É um modelo de negócio em que pesquisa, segurança e tempo de desenvolvimento são tão importantes quanto a própria capacidade de vender", declara Marcos Simplicio, professor do Departamento de Engenharia da Computação da Escola Politécnica da USP.

Especialistas destacam o papel essencial da criptografia na segurança de dados. Gustavo de Camargo, diretor de cibersegurança da Avanade Brasil, aponta que o objetivo da tecnologia vai além da confidencialidade: "Criptografia não é apenas confidencialidade, é confiança. Seu objetivo é garantir que um dado não seja lido ou interceptado por quem não deveria e que sua autenticidade possa ser comprovada."

Dados da empresa americana de pesquisa Cybersecurity Ventures estimam que os prejuízos globais com crimes digitais tenham alcançado 10,5 trilhões de dólares em 2025, considerando perdas operacionais, roubo de propriedade intelectual e desvio de recursos. Diante desse cenário, a soberania tecnológica tornou-se central para governos.

A Kryptus já comercializa suas soluções em mais de vinte países na África, no Sudeste Asiático e no Oriente Médio, além de conduzir projetos em Peru, Colômbia, México e Panamá, atendendo governos e instituições financeiras que buscam alternativas a fornecedores vinculados a grandes potências.

Fonte: https://veja.abril.com.br/tecnologia/a-empresa-brasileira-que-protege-do-pix-as-comunicacoes-das-forcas-armadas/

Compartilhar