A empresária Roberta Luchsinger concedeu sua primeira entrevista exclusiva a uma emissora de televisão desde o início das investigações que apuram sua relação com o empresário Antônio Camilo Antunes e com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A conversa foi ao ar no programa CNN Prime Time, conduzida pelos jornalistas Iuri Pitta e Débora Bergamasco.
Durante a entrevista, Luchsinger afirmou ter sido agredida após declarações do presidente da República e declarou que cogita realizar uma delação premiada. A empresária relatou que tem sofrido ameaças diárias de morte e que as redes sociais de suas filhas foram invadidas. Ela também rebateu críticas feitas por Lula e afirmou que pretende responsabilizar o presidente caso algo aconteça a ela ou à sua família.
Sobre as investigações em curso na Operação Sem Desconto, que envolvem o empresário Antônio Camilo Antunes — apontado em apurações ligadas ao INSS —, Luchsinger esclareceu que conheceu Camilo para prestar serviços profissionais voltados à revisão e reestruturação de normativas da Anvisa relacionadas ao canabidiol, negando qualquer envolvimento com negociações direcionadas ao Ministério da Saúde. A empresária sustentou que apresentou Camilo a Fábio Luís Lula da Silva em caráter estritamente social e que rompeu o contrato com o empresário após a repercussão pública do caso.
A empresária também afirmou ter presenciado encontros entre Lulinha e ministros de Estado, contestando declarações públicas do presidente sobre a ausência de reuniões entre seu filho e integrantes do governo. Entre os nomes citados na entrevista estão ministros da Educação e das Comunicações. Segundo Luchsinger, essas autoridades a procuravam para solicitar apoio, agendas ou prioridade em projetos institucionais junto ao Palácio do Planalto.
No que tange aos pagamentos e relações financeiras sob escrutínio da Polícia Federal, Luchsinger mencionou o ex-chefe de gabinete da Presidência, Marcola, reiterando que os esclarecimentos necessários já constam nos autos da investigação sob segredo de justiça. Ela também mencionou ter conhecimento sobre a relação de Lulinha com a construtora portuguesa Mota-Engil e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar integralmente com a justiça no âmbito legal adequado.
