Empresários e líderes corporativos dos Estados Unidos relatam estar enfrentando uma crise de custos e de cadeia de suprimentos considerada pior do que a vivida durante a pandemia de Covid-19. O atual cenário é marcado por perturbações logísticas, instabilidade de preços, conflitos internacionais e impactos climáticos que dificultam o planejamento das companhias.
O CEO da Dilworth Coffee, distribuidora de café na Carolina do Norte, relatou uma sucessão de desafios desde 2024, que incluiu safra desastrosa no Brasil, tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump, a guerra no Irã e os efeitos de um Super El Niño. Segundo o executivo, interrupções no transporte marítimo, escassez de contêineres e alta nos preços de fertilizantes criaram um período de turbulência inédito, com forte incerteza e margens de lucro mais apertadas.
Uma pesquisa mensal do Institute for Supply Management destacou que vários líderes empresariais comparam o clima atual à pandemia, avaliando que a crise sanitária foi menos complexa. Jack Buffington, diretor do programa de cadeia de suprimentos da Universidade de Denver, afirmou que o problema atual é de natureza energética e difere totalmente do período anterior.
O governo de Donald Trump tem buscado tratar o conflito com o Irã como um fator temporário, projetando que o fim da guerra reduziria rapidamente a inflação e os preços do petróleo. O presidente da Câmara, Mike Johnson, também declarou que a resolução da questão no Estreito de Ormuz ajudará a baixar os custos de combustíveis e mantimentos. No entanto, analistas e empresários apontam que fatores estruturais e geopolíticos — como a proibição de exportação de diesel pela Rússia, ações de rebeldes houthis no Mar Vermelho, piratas somalis no Golfo de Áden e condições climáticas adversas em portos globais, como tufões em Xangai — continuam pressionando os custos.
Ryan Petersen, CEO da Flexport, afirmou que a capacidade global de transporte marítimo foi reduzida em 15% este ano devido aos desvios de rotas contornando o continente africano para evitar ataques. No setor manufatureiro, Sean Brownlee, CEO da Ravenox, destacou que as pequenas empresas absorvem custos até o limite, mas agora enfrentam uma pressão intensa em meio à imprevisibilidade do mercado.
Enquanto a volatilidade e o encarecimento de insumos como o diesel afetam os serviços e o planejamento a curto prazo, os empresários relatam que os clientes, preocupados com a inflação, demonstram menor disposição para aceitar novos aumentos de preços, agravando o desafio para a manutenção dos negócios.
