Empresas que atuam no mercado de apostas online manifestaram forte oposição à possibilidade de uma proibição total das bets no Brasil. Representantes do setor avaliam que a medida não solucionará o problema, podendo, ao contrário, estimular a expansão do mercado clandestino e provocar impactos econômicos negativos em cadeia.
De acordo com informações repassadas pela analista de Política Isabel Mega durante o programa Bastidores CNN, companhias da área buscaram se posicionar contra o anúncio iminente do governo. A defesa apresentada é de que o debate público deveria focar no aprimoramento da eficiência regulatória, em vez de eliminar o mercado que já atua de forma legalizada.
As empresas argumentam que uma interrupção abrupta das atividades levaria apostadores a migrarem para plataformas ilegais, que operam desprovidas de fiscalização do Estado, sem recolhimento de tributos e sem obrigatoriedades voltadas à proteção dos usuários.
O diretor executivo das marcas Sortenabet e Betou, João Vitor Vilas Boas, pontuou em conversa com a equipe da CNN que modificações nas regras são válidas e requeridas, mas ressaltou que a proibição integral traria prejuízos a diversos setores econômicos, desencadeando um efeito em cadeia.
Outro ponto destacado pelo mercado diz respeito aos postos de trabalho. A estimativa é que cerca de 15.500 vagas de emprego sejam eliminadas caso a medida seja efetivada.
Foco no Congresso e acionamento do STF
Diante do entendimento de que a movimentação do governo possui motivações eleitorais, as companhias teriam optado por suspender as negociações com o Executivo, voltando suas articulações para o Congresso Nacional. A expectativa descrita por Isabel Mega é de que parlamentares analisem o tema após o período eleitoral, ou que a medida provisória perca validade, permitindo a retomada dos debates.
O Instituto Brasileiro do Jogo Responsável informou que pretende acionar o Supremo Tribunal Federal caso a regulamentação restritiva seja aplicada, apontando a decisão como um indicativo relevante de insegurança jurídica.
Nos bastidores, há também apreensão em relação aos impactos na arrecadação pública. Dados apontam que, entre janeiro e julho de 2026, a arrecadação gerada pelo setor alcançou R$ 8,75 bilhões, montante que não inclui os R$ 2,5 bilhões referentes a outorgas quitadas pelas empresas no ano anterior.
