Empresas de apostas esportivas autorizadas a atuar no país preparam medidas judiciais caso uma eventual proibição das bets seja oficializada pelo governo. O setor avalia solicitar o ressarcimento dos valores pagos pelas outorgas de funcionamento, o que pode gerar um impacto bilionário aos cofres da União.
De acordo com análises transmitidas no programa Hora H, o mercado de apostas foi apego de surpresa com a possibilidade de veto. Cada uma das 80 bets com autorização para operar legalmente no Brasil desembolsou R$ 30 milhões pela outorga. Caso o presidente Luiz Inácio Lula da Silva edite uma medida provisória ou aprove um projeto de lei em regime de urgência, as companhias planejam recorrer à Justiça para reaver os montantes, totalizando um reembolso estimado em R$ 2,5 bilhões.
O tema também gerou movimentações políticas nos bastidores. Uma ala do Partido dos Trabalhadores (PT) tentou demover o presidente Lula da ideia de extinguir as bets, enquanto o governo encaminha pendências junto aos clubes antes de redigir a medida provisória voltada ao veto. Clubes do futebol nacional já se manifestam sobre o cenário; o Fluminense, por exemplo, declarou que alterações abruptas provocam prejuízos.
Impacto no futebol brasileiro
A eventual proibição gera forte apreensão no cenário esportivo nacional. Grande parte das equipes brasileiras, abrangendo todas as divisões de A a D, mantém acordos de patrocínio com plataformas de apostas. Conforme apontamentos levantados na programação, a oficialização do veto em Diário Oficial encerraria de forma imediata a vigência desses contratos de patrocínio.
Ainda que o Flamengo possua estabilidade financeira, agremiações das séries B, C e D dependem diretamente desses aportes para a manutenção de suas atividades. O reflexo negativo atingiria a operação de diversos clubes e as negociações de transferências de atletas, uma vez que o esporte desenvolveu forte dependência financeira dessas receitas. Alternativas como o acesso a crédito público por meio do BNDES não solucionariam a questão com a rapidez necessária.
Crescimento do mercado ilegal
Especialistas alertam ainda para a falta de diretrizes estruturadas voltadas à fiscalização de operadores clandestinos. A interrupção das atividades das empresas legalizadas pode impulsionar o setor ilegal, formado por companhias que operam à margem da regulação e deixam de recolher impostos.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/politica/analise-bets-vao-a-justica-contra-proibicao-e-miram-futebol/
