A recente reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e jovens influenciadores de esquerda, que conquistaram expressiva votação para o Congresso Nacional, não seguiu a direção esperada pelos parlamentares. O grupo pretendia apresentar críticas construtivas e discutir novas estratégias para a comunicação digital do petista.
Em vez de um debate aberto, o encontro definiu que os novos congressistas atuarão no reforço da divulgação de diretrizes já estabelecidas pelo núcleo duro da campanha de Lula. Entre os temas priorizados estão a defesa da democracia e o encerramento da escala de trabalho 6x1. Como única sugestão prática absorvida para a campanha, o presidente ouviu que deveria adotar uma postura mais espontânea e frequente nas redes sociais.
O reflexo dessa orientação já foi registrado em publicações recentes de Lula, que passou a gravar vídeos com o celular na vertical e utilizando a câmera frontal, formato impulsionado pelo algoritmo do Instagram. Uma das postagens iniciais sob esse novo formato ultrapassou a marca de 23 milhões de visualizações, superando a média anterior, que não alcançava 10 milhões.
Apesar da nova dinâmica, os jovens parlamentares esperavam maior abertura para propor novos formatos e pautas voltadas à campanha de segundo turno. Antes do encontro, o deputado eleito Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho-neto da ex-presidente Dilma Rousseff, havia adiantado à VEJA a intenção de pautar três eixos principais: a redução nos preços de alimentos e da gasolina, maior rigor na segurança pública e a realização de uma reforma no Judiciário.
Na avaliação de Rousseff, expressada na noite de segunda-feira, 5, a atuação governamental corria o risco de focar em pautas secundárias enquanto a oposição consolidava a imagem de mudança. Uma fonte ouvida pela reportagem corroborou a avaliação, afirmando que o espaço para um diálogo franco sobre melhorias na campanha de segundo turno foi inexistente.
Além de Pedro Rousseff, participaram da reunião os seguintes nomes: Ana Elisa (PT-MG), Luna Zarattini (PT-SP), Renato Freitas (PT-PR), Ana Júlia Ribeiro (PT-PR), Rosa Amorim (PT-PE), Camila Jara (PT-MS), Pedro Campos (PSB-PE), Jones Manoel (PSOL-PE), Guilherme Cortez (PSOL-SP), Natália Bonavides (PT-RN) e Rick Azevedo (PSOL-RJ).
Diante da falta de abertura na coordenação oficial — atualmente sob o comando de políticos cotados para a sucessão presidencial em 2030, como o senador Camilo Santana (PT-CE), o ex-ministro Rui Costa (PT-BA) e o governador Rafael Fonteles (PT-PI) —, os jovens deputados articularam um grupo próprio após o encontro, na residência da deputada Camila Jara (PT-MS).
O objetivo dessa articulação paralela é influenciar os rumos da campanha à revelia da coordenação petista. A estratégia prevê atuação unificada nas redes sociais e em atos presenciais por todo o país, com foco na aproximação com a juventude e temas de esquerda para buscar a virada eleitoral.
Entre as propostas concretas que o grupo planeja defender de forma autônoma constam:
- Tarifa zero nos transportes públicos
- Expansão das linhas metroferroviárias
- Controle e barateamento dos preços de aluguéis
- Reforma urbana
- Reindustrialização brasileira
- Geração de empregos de qualidade
- Fortalecimento dos direitos trabalhistas
