O sistema de votação nos Estados Unidos difere significativamente do modelo brasileiro, sendo baseado primordialmente no uso de cédulas de papel. Enquanto no Brasil o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) centraliza as diretrizes, os americanos lidam com um modelo descentralizado, onde cada estado define seu próprio sistema de votação, com zonas eleitorais divididas em distritos.
De acordo com o laboratório de estudos de eleições do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), quase todas as cédulas no país são apuradas por meio de computadores. O método mais popular empregado é o scanner óptico, que realiza a leitura de votos em papel. Embora alguns distritos utilizem urnas eletrônicas diretamente, esses equipamentos contam com um sistema de auditoria em papel verificável, imprimindo as escolhas do eleitor para retenção local a fim de coibir fraudes na compra de votos.
A Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA (EAC) aponta que o registro físico proporciona um meio independente do software para conferências e recontagens seguras. Dados da Pesquisa de Administração Eleitoral e Votação de 2024 revelam que mais de 98% das jurisdições fazem uso de cédulas de papel ou de mecanismos com registro físico verificado pelo eleitor.
Fatores culturais e descentralização
A descentralização decorre da Constituição americana, que delega aos 50 estados o controle sobre os horários, os locais e a condução dos pleitos. Representantes da EAC destacam que a diversidade de tecnologias é vista por especialistas como uma vantagem de segurança contra falhas sistêmicas em nível nacional, visto que a agência federal atua apenas emitindo diretrizes voluntárias e não gerencia as eleições.
Questões históricas e culturais também explicam a relutância em adotar modelos totalmente informatizados. Nos anos 1970 e 1980, máquinas eletrônicas foram testadas, mas a desconfiança pública aumentou após a eleição presidencial de 2000 entre George W. Bush e Al Gore. Problemas com máquinas de cartão perfurado na Flórida geraram disputas judiciais e questionamentos sobre a confiabilidade de sistemas computadorizados.
Em 2002, o Congresso aprovou o Help America Vote Act (HAVA) para modernizar os equipamentos e fixar padrões. Contudo, controvérsias persistiram e impulsionaram a adoção de métodos com registros físicos. Pesquisas do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) indicam que a viabilidade de adotar tecnologias avançadas em larga escala depende tanto da segurança quanto de fatores humanos, como a confiança do eleitorado e dos grupos políticos.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/por-que-os-eua-nao-usam-urna-eletronica-como-o-brasil/
