Auxiliares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto avaliam que o mandatário deverá optar pela proibição total dos cassinos online, a exemplo do jogo do tigrinho, e das casas de apostas esportivas, conhecidas como bets, no país. Nesta quarta-feira (23), Lula realiza uma reunião com ministros no Palácio da Alvorada para definir a questão.
Participam do encontro os ministros Miriam Belchior, da Casa Civil; Sidônio Palmeira, da Secretaria de Comunicação Social; Dario Durigan, da Fazenda; e Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento. Conforme apontado pela CNN, os caminhos possíveis foram estruturados pela equipe econômica, restando apenas o posicionamento final do presidente.
O governo analisa duas opções principais:
- Proibição total: atinge tanto os cassinos online (como o tigrinho) quanto as apostas em eventos esportivos.
- Proibição parcial: restringe apenas os cassinos e estabelece regras para vedar a publicidade de apostas.
Segundo assessores palacianos, a tendência é de que o chefe do Executivo envie ao Congresso Nacional uma Medida Provisória (MP) com o veto integral a ambas as modalidades, delegando aos parlamentares a eventual decisão de flexibilizar o texto, considerando a influência da chamada bancada das bets no Poder Legislativo.
Fontes indicam que uma pesquisa da AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta manhã deve influenciar a decisão presidencial. O levantamento aponta que 75% dos entrevistados defendem a proibição das bets, enquanto 36% consideram que Lula foi responsável por sua disseminação.
A expectativa de aliados é que a deliberação oficial ocorra apenas na próxima semana, em razão da agenda do presidente. A partir desta quarta-feira, o petista intensifica viagens de campanha pelo país e retorna a Brasília somente no sábado (26). Aliados não descartam a possibilidade de o presidente antecipar o anúncio em algum discurso de comício, embora a projeção seja de que o posicionamento seja guardado para a última semana antes do primeiro turno.
A inclinação de Lula pela restrição das apostas possui forte apelo eleitoral. Pesquisas internas do Partido dos Trabalhadores (PT) já apontavam que três em cada quatro brasileiros se opõem às bets, com índices de rejeição ainda mais expressivos entre mulheres e jovens, faixas demográficas tratadas como prioritárias para a campanha à reeleição.
A avaliação interna é de que o aumento do endividamento nacional, com reflexos na aprovação do governo Lula 3, está associado à expansão das casas de apostas. Além disso, o governo constatou um crescimento acentuado nos índices de ludopatia em território nacional. Dario Durigan afirmou à CNN que, se as bets prejudicam a população, a arrecadação gerada não se justifica.
