As entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro devem somar 45,31 milhões de toneladas em 2026, uma queda em relação às cerca de 49 milhões de toneladas registradas no ano passado, segundo estimativa apresentada pelo presidente da Agroconsult, André Pessôa, nesta terça-feira (25), durante o Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela ANDA (Associação Nacional para Difusão de Adubos).
Segundo ele, este número pode ser ainda menor, “escorregando” para 44 milhões de toneladas. A consultoria projeta redução nas entregas de todos os principais nutrientes, em um cenário de menor importação, queda da produção nacional e atraso nas compras por parte dos produtores rurais.
Pessôa classificou a temporada como uma “safra Mounjaro”, em referência ao medicamento utilizado para perda de peso, para ilustrar a redução no volume de fertilizantes aplicado nas lavouras.
Impacto na produção e rentabilidade
Segundo Jeferson Souza, analista de insumos na Agrinvest, falta 15% do mercado de fertilizantes para rodar. “Mas se não está rodando agora, vai rodar quando?”, provocou. Segundo ele, este volume que falta é altamente dependente de crédito disponível, e que não chega ao produtor nesse momento.
Os produtores vêm reduzindo as doses de aplicação de fósforo, apesar de as lavouras registrarem níveis recordes de extração do nutriente. Pessôa afirmou que, na avaliação da consultoria, esses cortes foram realizados sem comprometer as recomendações agronômicas. A avaliação indica que parte dos produtores ajustou o manejo nutricional para reduzir custos diante da piora da rentabilidade das últimas safras.
Souza disse que o mesmo vem sendo observado para potássio e nitrogênio, que inicialmente não eram uma preocupação, e deve haver um novo reajuste nas projeções.
Cenário de queda na oferta e endividamento
A redução das entregas reflete um recuo na oferta disponível no mercado brasileiro. Pessôa afirmou que houve queda tanto nas importações quanto na produção nacional de fertilizantes, reduzindo o volume de produto disponível para atender à demanda da safra.
A Agroconsult também apontou um aumento da alavancagem financeira dos produtores rurais. Segundo Pessôa, a relação entre dívida líquida e EBITDA passou de 1,4 vez em 2025 para 2,1 vezes em 2026, com projeção de alcançar 2,8 vezes em 2027. Ele afirmou que a consultoria considera um índice de até duas vezes como um nível saudável de endividamento.
Durante a apresentação, Pessôa atribuiu parte do cenário de maior endividamento ao ambiente de crédito no Brasil, que reduziu a previsibilidade e a antecedência na contratação de financiamentos para a safra.
