A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala de trabalho 6x1 foi aprovada em duas instâncias no Senado na noite anterior. O texto obteve 75 votos favoráveis, incluindo o de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência que se opunha à medida nos últimos meses e defendia uma alternativa para flexibilizar a jornada laboral. Do total de 81 senadores no Congresso Nacional, seis parlamentares ficaram de fora da aprovação, seja por ausência ou por não votarem a favor.
O único voto contráro à proposta partiu do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS), ex-vice-presidente da República na gestão de Jair Bolsonaro. Eleito em 2002 e com mandato vigente até 2030, Mourão declarou posição contrária ao projeto durante o período eleitoral.
Outros quatro parlamentares do PL registraram ausência na votação e não se posicionaram formalmente sobre o texto:
- Ciro Nogueira (PP-PE): ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.
- Marcio Bittar (PL-AC): senador reeleito pelo Acre em 2026.
- Sergio Moro (PL-PR): ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro e governador eleito do Paraná no primeiro turno de 2026.
- Rogério Marinho (PL-RN): coordenador da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro e autor de uma proposta alternativa.
Além deles, o senador Davi Alcolumbre (União-AP) não votou por exercer a presidência do Senado, seguindo o regimento interno da Casa ao conduzir os trabalhos da sessão.
Justificativas e posicionamentos
Por meio de nota publicada nas redes sociais em 15 de outubro de 2026, Sergio Moro explicou a abstenção ao afirmar que o tema exigia maior aprofundamento e diálogo:
Sempre defendi que um tema tão sensível como a alteração da jornada de trabalho, com impactos diretos sobre trabalhadores, empresas e a economia, fosse discutido com amplitude, profundidade e diálogo. O período eleitoral não é o momento adequado para esse debate. Por esse motivo, optei por não votar a proposta da assim denominada PEC 6 por 1, escreveu Moro.
Marcio Bittar não apresentou justificativa para a ausência, mas utilizou suas redes sociais para celebrar a aprovação da PEC e fazer campanha para Flávio Bolsonaro, comemorando como se tivesse votado positivamente:
O fim da escala 6x1 foi aprovado no Senado! Tudo porque teve apoio do nosso futuro presidente Flávio Bolsonaro. Agora o trabalhador terá mais tempo para descansar! Vote em quem pensa no trabalhador, publicou Bittar.
Rogério Marinho, por sua vez, apoia uma PEC de sua própria autoria que sugere a remuneração do trabalhador por hora prestada, em substituição às escalas fixas de 44 ou 40 horas semanais com garantia de direitos como o salário mínimo. A iniciativa também conta com o apoio de Flávio Bolsonaro. Marinho não justificou a ausência na sessão, embora tenha passado mal e sido internado no dia 6 de outubro, recebendo alta médica no dia seguinte.
Ciro Nogueira, que não obteve reeleição para os próximos oito anos, não realizou nenhum pronunciamento público a respeito da sua ausência na votação.
