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Escritor Patrick Chamoiseau aponta os desafios da literatura e da mundialidade

Em entrevista, o escritor martinicano Patrick Chamoiseau discute literatura, crioulidade e os desafios da humanidade frente à crise global.

Redação•21 de set. de 2026, 16:38
Escritor Patrick Chamoiseau aponta os desafios da literatura e da mundialidade
Imagem: site

Escritor Patrick Chamoiseau aponta os desafios da literatura e da mundialidade

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Em entrevista recente, o escritor martinicano Patrick Chamoiseau, de 72 anos, reflete sobre a importância da imaginação, da literatura e da experiência crioula em um mundo marcado por crises socioambientais e novos sectarismos. Nascido na Martinica e vencedor do prêmio Goncourt em 1992 com o romance Texaco (reeditado recentemente pela Editora Pinard), o autor destaca que o principal desafio contemporâneo não é acumular saber, mas ter a capacidade de imaginar e se tornar aquilo que ainda não existe.

Chamoiseau ressalta que sua obra explora a oriliteratura, contação de histórias de ancestrais abordada em O contador, a noite e o balaio (Editora 34), processando o passado colonial, escravocrata e extrativista de sua terra. Na obra Texaco, a comunidade fictícia criada ergue-se como um manguezal urbano, servindo de metáfora para a solidariedade e para uma inteligência do mundo vivo que desafia a visão de urbanistas tradicionais.

O autor também diferencia a globalização econômica, voltada a transformar a Terra em recursos e dados, da Mundialidade — conceito herdado de Édouard Glissant. Para Chamoiseau, a Mundialidade representa a consciência sensível de que vivemos em uma totalidade interconectada, onde nenhum povo ou cultura deve ocupar o centro. A obra ensaística Irmãos migrantes e o manifesto Elogio da crioulidade, assinado com Jean Bernabé e Raphaël Confiant e publicado pela Editora 34, reforçam essa visão voltada para a poética da Relação e para o combate aos imaginários de dominação.

Questionado sobre o papel da literatura diante da vida digital e das telas, o escritor argumenta que a leitura devolve o tempo interior, introduz silêncio entre as informações e combate o fluxo consumível de dados. Para Chamoiseau, embora romances e poemas não impeçam guerras ou ditaduras diretamente, eles atuam no imaginário humano, permitindo que as pessoas preservem a capacidade de ser afetadas e criem novas possibilidades de convivência.

Fonte: https://veja.abril.com.br/ideias/nosso-desafio-nao-e-saber-mais-e-sermos-capazes-de-imaginar-e-nos-tornarmos-aquilo-que-ainda-nao-existe/

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