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Especialista aponta interesses geopolíticos de Trump ao enviar drones para a América do Sul

Especialista analisa envio de drones dos EUA para a América do Sul e aponta que estratégia de Donald Trump pode envolver interesses geopolíticos contra a China.

Redação•18 de set. de 2026, 23:48
Especialista aponta interesses geopolíticos de Trump ao enviar drones para a América do Sul
Imagem: site

Especialista aponta interesses geopolíticos de Trump ao enviar drones para a América do Sul

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Os Estados Unidos preparam o envio de drones do modelo MQ-9 para a América do Sul sob o argumento oficial de combate ao narcotráfico. A movimentação gera desconfiança nas autoridades brasileiras e levanta questionamentos sobre as reais intenções de Washington na região.

Em entrevista ao programa CNN Prime Time, a especialista em Direito Internacional Priscila Caneparo analisou as implicações jurídicas e geopolíticas do deslocamento das aeronaves não tripuladas. Segundo ela, diversas questões centrais ainda permanecem sem resposta, a começar pela natureza dos equipamentos. "Esses drones se atrelam à questão da inteligência, da vigilância e também do reconhecimento do terreno", afirmou. "A questão principal é: esses drones vão ou não estar armados? Porque o MQ-9 existe, sim, dentro dessa prerrogativa também de estar armado.", declarou.

Soberania e direito internacional em risco

Caneparo destacou que, de acordo com o direito internacional, qualquer operação de drones em território estrangeiro exige autorização prévia do Estado soberano. Ela explicou que órgãos como a Organização das Nações Unidas, a Corte Internacional de Justiça e o Sistema Interamericano de Proteção aos Direitos Humanos não reconhecem o narcotráfico como fundamento para legítima defesa, salvo em caso de ataque direto entre Estados.

"Os Estados Unidos entendem que legítima defesa também abarca a questão de quando o Estado não quer ou não tem condições de combater esse narcotráfico", apontou a especialista. "Então existe, sim, uma preocupação legítima do governo brasileiro em relação à própria violação de soberania aqui do nosso território nacional", acrescentou.

A especialista também alertou para as consequências da decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Para ela, essa designação desloca o tratamento do tema do campo penal para a segurança de Estado, o que dificulta a cooperação internacional tradicional e poderia invocar a lei antiterror americana para autorizar intervenções militares em outros territórios.

Interesse maior do que o combate às drogas

Na avaliação de Caneparo, o objetivo por trás da militarização da região vai além do discurso sobre o narcoterrorismo, apontando a contenção da influência chinesa na América Latina como o fator determinante na estratégia do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

"A partir do momento que ele militariza a região, é muito mais difícil para os chineses terem algum aspecto de influência no canal do Panamá. É muito mais difícil para os chineses construírem portos, como aconteceu no Peru", avaliou. "A gente precisa pensar que existe um interesse muito maior do que o combate a esse narcoterrorismo, como Donald Trump começa a falar.", pontuou.

Para fundamentar o argumento, a especialista observou que os drones MQ-9 estão sendo retirados de contextos africanos, continente que abriga numerosos grupos jihadistas, para serem deslocados à América do Sul. "Se o problema fosse o terrorismo, a gente não teria a retirada desses MQ-9 do contexto africano, porque a gente sabe que a África possui muitos grupos jihadistas e muitos grupos terroristas que retroalimentam esse ódio aos Estados Unidos", concluiu.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/existe-um-interesse-maior-de-trump-do-que-combater-drogas-diz-especialista/

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