Uma operação deflagrada pela Polícia Civil do Estado de São Paulo na manhã desta quinta-feira (17) teve como alvo a suposta infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) em empresas de ônibus da capital paulista. Entre os investigados está o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Milton Leite (União Brasil), que não foi localizado em sua residência durante a ação.
Em entrevista ao programa CNN Novo Dia, o professor da FGV e especialista em segurança pública Rafael Alcadipani analisou o alcance das investigações. Segundo o especialista, a atuação do crime organizado em serviços públicos é uma tendência consolidada ao longo dos anos, exigindo uma resposta firme das autoridades.
Transporte público e lavagem de dinheiro
De acordo com Alcadipani, o setor de transporte público é vulnerável à ação de facções criminosas devido à facilidade para a prática de lavagem de dinheiro. O professor explicou que o fluxo constante de passageiros dificulta o controle exato do público que utiliza os ônibus. Além disso, o uso de peças e insumos como óleos, pneus e parafusos pode gerar registros fictícios, convertendo recursos ilegais em valores com aparência lícita.
O especialista apontou que o problema não se restringe ao transporte. Investigações prévias já revelaram a presença do PCC em áreas como a saúde e secretarias de planejamento na capital, no interior e na Grande São Paulo.
Financiamento político e reações
As apurações também indicam indícios de apoio financeiro do PCC a candidaturas, como a de Danilo Morgado (PL), também alvo da operação. Para Alcadipani, a infiltração na política configura um risco estrutural, permitindo que organizações criminosas alcancem prefeituras e estruturas estatais para a lavagem de capitais. O professor destacou a necessidade urgente de conter essa presença na política brasileira.
A ação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo cumpriu 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Entre os detidos na operação estão Júlio Salvador Filho, Claudionor Aparecido Sabino Tomaz, Levi dos Santos Oliveira, Carla de Paula Muller, Edivania Arruda Botelho Alves, André Cassali, José Ronaldo Alves de Sales, Edson Antonio de Souza e Danilo Marco Morgado Silva.
Posicionamentos
Em nota, Milton Leite afirmou que está em viagem, negou estar foragido e declarou que se apresentará às autoridades em até 24 horas para provar sua inocência diante das acusações.
A defesa de Danilo Morgado alegou que a prisão ocorreu de forma irregular às vésperas das eleições e classificou a medida como perseguição, resgatando denúncias anteriores feitas por ele sobre licitações na Prefeitura de Praia Grande.
Por sua vez, a Prefeitura de São Paulo destacou que realizou intervenções nas empresas Transwolff e UPBus em abril de 2024 para proteger o sistema de transporte municipal, ressaltando que colabora integralmente com o Ministério Público e a Polícia Civil nas investigações.
