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Especialistas analisam se Flávio Bolsonaro poderá subir a rampa com Jair Bolsonaro

Especialistas avaliam se Flávio Bolsonaro poderá subir a rampa do Planalto com Jair Bolsonaro em caso de vitória presidencial em 2027.

Redação•09 de out. de 2026, 04:30
Especialistas analisam se Flávio Bolsonaro poderá subir a rampa com Jair Bolsonaro
Imagem: site

Especialistas analisam se Flávio Bolsonaro poderá subir a rampa com Jair Bolsonaro

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O candidato à Presidência pelo PL (Partido Liberal), Flávio Bolsonaro, tem reiterado que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, subirá a rampa do Palácio do Planalto em uma eventual posse em 2027, caso vença a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No entanto, especialistas em direito constitucional e penal ouvidos pela CNN Brasil apontam que a viabilidade prática dessa promessa enfrenta obstáculos jurídicos e burocráticos.

Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal) a 27 anos e 3 meses de prisão no ano passado e cumpre prisão domiciliar em Brasília desde março por motivos de saúde. Para que o ex-presidente participe da cerimônia ao lado do filho, um dos caminhos levantados seria a concessão de um perdão presidencial após a posse de Flávio, marcada para 5 de janeiro de 2027.

Instrumentos jurídicos de perdão

O advogado criminalista Rafael Valentini, pós-graduado em Direito e Processo Penal pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que a anistia, o indulto e a graça compartilham a capacidade de extinguir a punibilidade, mas possuem diferenças fundamentais. Enquanto a anistia parte do Congresso Nacional, o indulto e a graça são de iniciativa do presidente da República. A anistia e o indulto abrangem grupos de pessoas, ao passo que a graça possui caráter individual, funcionando como uma modalidade de indulto individualizado.

A anistia e o indulto encontram respaldo na Constituição, enquanto a graça está prevista na legislação penal. Para o objetivo específico de colocar Jair Bolsonaro ao lado de Flávio na posse, o instrumento mais direto seria a graça presidencial.

Obstáculos práticos e burocracia

Especialistas apontam que um decreto ou ato presidencial não bastaria para libertar Bolsonaro de imediato. Após a eventual concessão do perdão por Flávio, a decisão precisaria ser encaminhada à Justiça para o reconhecimento oficial do fim da pena. A execução da pena determinada pelo Supremo no caso de Jair Bolsonaro é acompanhada pelo ministro Alexandre de Moraes.

"Juridicamente é possível. Em termos práticos, acho improvável", avalia Valentini, ressaltando que, mesmo com os pedidos preparados antecipadamente, seria necessária a comunicação oficial e o reconhecimento dos efeitos por Moraes. Álvaro Jorge, professor de direito da FGV (Fundação Getúlio Vargas), compartilha da mesma avaliação e destaca que a burocracia envolvida torna difícil concluir todo o procedimento no primeiro dia de mandato, ainda que o trâmite possa ser acelerado.

Além disso, o perdão da pena não restabeleceria automaticamente os direitos políticos de Bolsonaro para disputar eleições, mantendo-se a inelegibilidade decorrente da condenação.

Revisão criminal no STF

Antes de uma possível medida presidencial de Flávio, o cenário pode ser alterado por via judicial. O ministro Kassio Nunes Marques, do STF, atua como relator de pedidos de revisão criminal apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro e informou a intenção de analisar o caso após o segundo turno das eleições. O gabinete do ministro declarou nesta quarta-feira (7) que a tendência é encaminhar a discussão ao plenário da Corte.

Segundo Rafael Valentini, caso Nunes Marques emita uma decisão que suspenda a execução da pena ou determine a soltura, o cenário da rampa mudará completamente, pois Bolsonaro não dependeria de um perdão em janeiro. "Uma decisão judicial tem o poder de colocá-lo em liberdade e sem restrições, a ponto de ele ir à posse", afirma o advogado.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/eleicoes/se-eleito-flavio-podera-subir-a-rampa-com-jair-bolsonaro-entenda/

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