Os Estados brasileiros e o Distrito Federal destinaram R$ 103,5 bilhões para as polícias em 2025. O dado faz parte da nova edição do estudo “O Funil de Investimentos da Segurança Pública nos Estados Brasileiros”, desenvolvido pelo centro de pesquisa Justa. O levantamento avaliou os orçamentos de 25 Estados e do Distrito Federal, visto que o Acre não disponibilizou dados. No período de 2023 até o ano passado, o crescimento médio dos investimentos foi de 9,7%.
De acordo com o estudo, a maior parte dos recursos foi direcionada às polícias militares, que concentraram R$ 60,7 bilhões, o equivalente a 58,6% do total. Na sequência, aparecem as polícias civis, com R$ 22,2 bilhões (21,5%), e as polícias técnico-científicas, que receberam R$ 2,8 bilhões (2,7%).
Investigação versus policiamento ostensivo
Para Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, os governos estaduais têm priorizado o policiamento ostensivo em detrimento da inteligência e da investigação. A especialista aponta que essa escolha resulta em encarceramento em massa sem desestabilizar o crime organizado.
“Quando o investimento em policiamento ostensivo cresce sem que a investigação e produção de provas avancem na mesma proporção, o sistema amplia sua capacidade de prender sem necessariamente fortalecer sua eficiência para esclarecer os crimes”, declarou Zaffalon. “É uma lógica que ajuda a sustentar um modelo de encarceramento em massa, marcado por fragilidades na apuração da autoria e na produção de evidências”, afirmou.
Sistema prisional e políticas para egressos
O sistema prisional absorveu R$ 22,3 bilhões em investimentos estaduais em 2025, registrando uma alta de 1,7% no período analisado. Os Estados que registraram os maiores valores absolutos na área foram:
- São Paulo: R$ 5,3 bilhões
- Santa Catarina: R$ 1,6 bilhão
- Paraná: R$ 1,5 bilhão
- Rio de Janeiro: R$ 1,5 bilhão
- Rio Grande do Sul: R$ 1,5 bilhão
Zaffalon aponta que os aumentos identificados no sistema prisional têm sido direcionados prioritariamente para a expansão da estrutura carcerária. Segundo ela, as reduções orçamentárias atingem despesas essenciais para as condições de encarceramento, como saúde e alimentação, o que agrava a precarização e a violação de direitos dos apenados.
Já as políticas voltadas para egressos — focadas na reincorporação de presos à sociedade — receberam R$ 19 milhões em 2025, frente aos R$ 18 milhões gastos no ano anterior, com um crescimento médio de 5,3%. São Paulo lidera os gastos nessa frente, com R$ 13,3 milhões.
“Quando o Estado destina bilhões à entrada e à permanência no sistema prisional, mas reserva valores residuais para a saída, limita as possibilidades de reinserção social e mantém condições que podem favorecer a reincidência”, avaliou a diretora-executiva do Justa.
O estudo destaca ainda que, em 2025, entrou em vigor o Plano Pena Justa, formulado pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Ministério da Justiça por determinação do Supremo Tribunal Federal. O programa prevê ações para gerenciar vagas nos presídios, aprimorar as condições de encarceramento e fortalecer a saída e reinserção social. Contudo, o levantamento indica que a iniciativa não provocou uma mudança expressiva no volume de recursos destinados às políticas para egressos no país.
