Os Estados Unidos têm intensificado operações conjuntas com diferentes países da América Latina para combater grupos criminosos, uma prioridade estabelecida por Washington para a segurança regional e nacional. Em 8 de setembro, o Comando Sul dos EUA divulgou um vídeo sobre uma operação realizada com forças do Equador para interceptar uma embarcação chamada "Don Rufo", apontada como ligada à facção Los Choneros — classificada como terrorista pelos Estados Unidos. O barco servia como ponto de reabastecimento para narcotraficantes no Pacífico Oriental e acabou sendo destruído. Segundo a Marinha equatoriana, seis tripulantes foram recebidos pelas autoridades locais, enquanto outros dez conseguiram fugir.
Ações semelhantes também foram registradas ao longo do ano com a Venezuela e o México. Em março, os governos norte-americano e equatoriano anunciaram operações conjuntas, incluindo a destruição de um suposto acampamento de dissidentes das Farc, embora moradores locais tenham relatado à CNN que o local era usado para atividades agrícolas. No fim de agosto e início de setembro, as forças realizaram prisões de supostos integrantes das facções Los Choneros e Los Lobos, além de interceptações de embarcações ligadas ao tráfico. Durante visita ao Equador em 9 de setembro, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reuniu-se com o presidente Daniel Noboa e definiu o país como o principal aliado americano na região contra o crime, anunciando a entrega de um navio, cinco lanchas interceptadoras e a gestão de recursos.
Especialistas alertam para os riscos dessas ações. Glaeldys González, analista da International Crisis Group, apontou que a destruição de embarcações pode prejudicar investigações judiciais e gerar violações de direitos humanos, visto que organizações criminosas costumam utilizar pescadores coagidos para o transporte de drogas. Desde setembro do ano passado, mais de 230 pessoas morreram em ataques militares norte-americanos contra barcos no Caribe e no Pacífico Oriental, táticas cujas legalidades são questionadas por especialistas e organizações de direitos humanos.
Na Venezuela, em junho, o governo de Donald Trump anunciou a morte de Héctor Guerrero Flores, o "Niño Guerrero", líder da facção Tren de Aragua — também classificada como terrorista —, em uma operação coordenada com autoridades venezuelanas no sudeste do estado de Bolívar. A ação ocorreu meses após a captura do presidente Nicolás Maduro e a posse da presidente interina Delcy Rodríguez, que abriu espaço para cooperação, investimentos estrangeiros e um acordo que concede aos EUA o controle de 65 bilhões de barris de petróleo venezuelano.
Na fronteira com o México, o Comando Norte informou em agosto o uso inédito de um sistema a laser para derrubar drones de cartéis de narcotráfico, com o número atualizado para 11 em setembro. A Secretaria de Defesa do México afirmou ter sido notificada e atuado em território nacional, promovendo operações "espelho" e antidrones entre San Diego e Tijuana. O secretário da Defesa mexicano, Ricardo Trevilla, destacou em 11 de setembro que a cooperação ocorre com respeito à soberania nacional, enquanto pesquisadores como Roberto Zepeda, da UNAM, ressaltam que ações unilaterais dos EUA encontram barreiras claras estabelecidas pelo governo da presidente Claudia Sheinbaum.
Para ampliar sua influência na região, os EUA lançaram em março a iniciativa "Escudo das Américas", convocando governos aliados. Países como Argentina, Equador, El Salvador, Peru e Colômbia — por meio do presidente Abelardo de la Espriella — indicaram adesão à cooperação em segurança. Na América Central, a Guatemala solicitou apoio sem envolver tropas norte-americanas, enquanto a Costa Rica, pela voz da presidente Laura Fernández, avaliou que operações terrestres dos EUA seriam benéficas, embora dependessem de aprovação legislativa.
