NewsHub
Economia

Estatais federais registram superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto, o primeiro saldo positivo do ano

Empresas estatais federais registraram superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto, o primeiro saldo positivo de 2026, segundo o Banco Central.

Redação•30 de set. de 2026, 10:30
Estatais federais registram superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto, o primeiro saldo positivo do ano
Imagem: site

Estatais federais registram superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto, o primeiro saldo positivo do ano

Ouça esta matéria em voz alta

As empresas estatais federais registraram um superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto deste ano, conforme informou o Banco Central nesta quarta-feira (30). O resultado representa o primeiro saldo positivo dessas companhias em 2026, sendo que o último superávit havia ocorrido em dezembro do ano passado, quando somou R$ 1,16 bilhão.

O montante também constitui o maior resultado positivo para o mês de agosto desde o início da série histórica do Banco Central, iniciada em dezembro de 2001. O recorde anterior para o mês havia sido registrado em 2023, com saldo positivo de R$ 1,39 bilhão. O termo "superávit" indica que a receita das empresas superou os gastos gerados no período.

Enquanto o Banco Central é o órgão responsável por registrar e divulgar tais dados, a gestão e a responsabilidade pelos resultados pertencem ao governo federal. A equipe de reportagem entrou em contato com o Ministério da Gestão para questionar os motivos do superávit, a adoção de eventuais medidas e a sustentabilidade do resultado, mas o governo informou que enviaria uma resposta posteriormente.

Metodologia de cálculo

O levantamento do Banco Central abrange companhias como Correios, Emgepron, Hemobrás, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev e Emgea. A metodologia exclui a Petrobras, a Eletrobras e empresas do setor financeiro, como os bancos públicos. A Petrobras e a Eletrobras foram retiradas do cálculo em 2009, com revisão retroativa da série histórica a partir de 2002. O conceito utilizado pelo Banco Central baseia-se na variação da dívida, padrão em análises fiscais internacionais, diferindo do conceito governamental "acima da linha", que subtrai despesas de receitas sem contabilizar juros da dívida.

Déficit acumulado no ano

Apesar do resultado positivo em agosto, as estatais federais mantêm um saldo acumulado negativo nos primeiros oito meses de 2026. O rombo na parcial do ano alcançou R$ 6,51 bilhões. Este patamar aproxima-se do maior déficit já registrado em um ano fechado, que foi de R$ 6,73 bilhões em 2024.

No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso Nacional em abril, o governo federal estimou que as estatais — deficitárias desde 2023 — permanecerão no vermelho até 2030. Em julho, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, apontou no Relatório de Acompanhamento Fiscal uma deterioração na saúde financeira de parte relevante dessas empresas, elevando os riscos para o Tesouro Nacional.

Situação dos Correios

O desempenho financeiro negativo das estatais neste ano tem sido intensificado pela crise fiscal dos Correios, que registraram um rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025 e de R$ 5,6 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. Embora o governo mantenha um plano de restruturação — que inclui corte de custos, saneamento de planos de previdência, reestruturação de planos de saúde, demissões voluntárias, venda de imóveis ociosos e reajustes tarifários —, a expectativa oficial é de que a estatal ainda apresente elevado prejuízo em 2026.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que os Correios não se adaptaram, mas descartou a privatização da empresa. Para mitigar o quadro financeiro, a estatal obteve um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 com garantia do Tesouro e autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN) em fevereiro para captar mais R$ 8 bilhões. Além disso, em maio, o governo autorizou a empresa a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia por meio de parcerias com instituições financeiras.

Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/09/30/no-1o-saldo-positivo-do-ano-estatais-federais-tem-superavit-de-r-176-bilhao-em-agosto.ghtml

Compartilhar