A campanha presidencial precisa realizar uma mudança drástica na estratégia para o segundo turno, com foco na captação de eleitores que não compareceram às urnas na primeira etapa e na alteração da imagem de que o partido está associado ao sistema político. A avaliação foi defendida por Pedro Rousseff (PT-MG), vereador de Belo Horizonte e deputado federal eleito, em entrevista ao programa Ponto de Vista, da revista VEJA.
Rousseff participou de uma reunião com o presidente Lula e outros parlamentares populares nas redes sociais e "supervotados", realizada na quarta-feira, 7, para debater a comunicação da campanha nas plataformas digitais. Segundo ele, o resultado do primeiro turno evidenciou que Jair Bolsonaro conseguiu se posicionar como o símbolo de mudança, enquanto o Partido dos Trabalhadores ficou vinculado à ideia de sistema.
O deputado eleito ressaltou que a legenda precisa se apresentar como "antissistema", evidenciando o apoio de setores do Centrão a Bolsonaro e argumentando que o adversário pode ocupar o governo amparado por aliados políticos. A declaração ocorre em um contexto em que legendas centrais como PP, União Brasil e Republicanos integraram o atual governo de Lula por meio de ministérios.
Propostas e segurança pública
Para atrair o eleitorado que se absteve, Rousseff defende que a campanha atue imediatamente no cenário atual, modificando a comunicação nas redes sociais. Como exemplo, citou a publicação de vídeos de Lula em formato de selfie, estratégia que obteve desempenho recorde para alcançar públicos desmobilizados no primeiro turno.
No setor de segurança pública, Rousseff apontou a necessidade de o partido afastar a pecha de condescendência com a criminalidade, destacando que Lula adotou um discurso mais rigoroso resumido na frase: "para o trabalhador, proteção e para o bandido, prisão". Além disso, o parlamentar avaliou que a campanha deve deixar de focar exclusivamente nas realizações passadas dos governos petistas e apresentar propostas concretas para os próximos quatro anos.
Diálogo com evangélicos e debates
A estratégia para o segundo turno também contempla a ampliação do diálogo com o eleitorado evangélico, segmento com o qual o partido perdeu interlocução, na visão de Rousseff. Para reverter esse quadro, o parlamentar defende propostas voltadas a demandas fundamentais, como alimentação, segurança, transporte e liberdade de culto, além de reconhecer que as igrejas ampliaram sua presença nas periferias em decorrência da ausência do Estado.
Por fim, os debates entre Lula e Bolsonaro ganham centralidade na nova fase. Rousseff reconheceu que a ausência do presidente nos debates do primeiro turno constituiu um erro tático, avaliando que agora o candidato deve marcar presença no maior número possível de debates para disputar diretamente a percepção de mudança com o opositor.
