Os futuros governadores que assumirem ou renovarem seus mandatos no ano de 2027 enfrentarão realidades estaduais bastante distintas, conforme aponta a nova edição do estudo “IMDS – Eleições: Panorama Estadual”, desenvolvido pelo Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (Imds). A pesquisa analisa 228 indicadores divididos em 12 frentes para comparar as condições sociais e econômicas das 27 unidades da Federação.
O levantamento engloba áreas como atividade econômica, ambiente de negócios, assistência social, distribuição de renda e pobreza, educação, habitação, situação fiscal, meio ambiente, mercado de trabalho, mobilidade social, saúde e segurança. O objetivo da ferramenta é detalhar a trajetória temporal de cada localidade, permitindo identificar se uma unidade federativa mantém boa posição mas apresenta piora gradual, ou se evolui de forma acelerada mesmo partindo das últimas colocações.
As disparidades regionais destacam-se de maneira evidente nos índices de segurança pública. No Amapá, a taxa de homicídios saltou de 32,8 mortes por 100 mil habitantes em 2006 para 57,3 em 2023, registrando o maior patamar entre os estados brasileiros. Na Bahia, segunda maior taxa, o indicador passou de 23,7 para 43,9 homicídios por 100 mil habitantes no mesmo período analisado. Em sentido oposto, São Paulo reduziu sua taxa de 20,4 mortes por 100 mil habitantes em 2006 para 6,4 em 2023, alcançando o menor índice nacional.
No setor educacional, o Ceará registrou avanço expressivo na proficiência em leitura de crianças matriculadas no 2º ano do Ensino Fundamental, com o percentual de estudantes em nível adequado subindo de 44,9% em 2021 para 72,1% dois anos depois. Em contraste, Alagoas manteve-se praticamente estagnada no mesmo intervalo, passando de 30% para 30,7%.
Apesar do progresso educacional cearense, o estado ainda acumula desafios sociais e de segurança, com 24,4% da renda domiciliar média proveniente de transferências sociais. O mercado de trabalho também revela contrastes expressivos: em Santa Catarina, a proporção de jovens entre 18 e 24 anos que não estudam nem trabalham recuou de 17,5% em 2012 para 13,5% em 2025. Já em Alagoas, o indicador subiu de 27% para 38,2% no mesmo período.
Na área da saúde, determinados índices apontam deterioração recente. O Rio de Janeiro elevou sua taxa de tuberculose de 79,3 casos por 100 mil habitantes em 2020 para 99,3 em 2025. No Rio Grande do Sul, o indicador cresceu de 53,8 para 69,8 casos por 100 mil habitantes.
O mapa da extrema pobreza demonstra que os nove estados com maiores proporções de moradores vivendo com renda domiciliar per capita abaixo da linha de extrema pobreza estão situados nas regiões Norte e Nordeste, enquanto os melhores resultados concentram-se no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Contudo, o estudo aponta que a divisão regional não explica todas as discrepâncias, pois resultados positivos e negativos podem coexistir em um mesmo estado, variando a velocidade de melhora ou agravamento.
Para Paulo Tafner, presidente do Imds, a ferramenta ganha relevância com a proximidade do ciclo eleitoral ao possibilitar a verificação da persistência e da temporalidade dos problemas estaduais. Com a posse dos novos governos estaduais marcada para janeiro de 2027, os dados quantificam os desafios que integrarão as discussões políticas, evidenciando que o ponto de partida e o histórico de cada estado diferem amplamente no país.
