NewsHub
Economia

Estudos projetam impactos no PIB e no emprego com o fim da escala 6x1

Projeções de CLP, FGV Ibre, Ipea e Banco Inter avaliam os impactos da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais no PIB e no emprego.

Redação•15 de out. de 2026, 12:30
Estudos projetam impactos no PIB e no emprego com o fim da escala 6x1
Imagem: site

Estudos projetam impactos no PIB e no emprego com o fim da escala 6x1

Ouça esta matéria em voz alta

A recente aprovação pelo Senado, em dois turnos realizada na quarta-feira, 14, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que encerra a escala de trabalho 6x1 trouxe à tona diferentes projeções econômicas. O texto, que segue para promulgação, garante dois dias de descanso semanal — preferencialmente aos domingos — e reduz a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. Trata-se da primeira mudança desse tipo desde a Constituição de 1988.

Diferentes análises técnicas divergem sobre os reflexos macroeconômicos da medida. O estudo do Centro de Liderança Pública (CLP), publicado em fevereiro de 2026 e conduzido por Daniel Duque, aponta uma retração de 0,7% no Produto Interno Bruto (PIB) e estima a eliminação de mais de 638 mil postos formais de trabalho (queda de 1,1% nas vagas), com setores como construção, comércio e agropecuária entre os mais afetados.

Em contrapartida, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) argumenta que os custos da nova jornada seriam comparáveis aos de reajustes históricos do salário mínimo, como os acréscimos de 12% em 2001 e de 7,6% em 2012, que não teriam provocado reduções no nível de emprego. O Ipea calcula um acréscimo de 7,84% no custo do trabalhador contratado sob o regime da CLT. Segundo o pesquisador Felipe Pateo, em grandes empresas dos setores industrial e comercial, os gastos com pessoal representam menos de 10% dos custos operacionais, mantendo o impacto abaixo de 1% nesses grandes setores.

Contudo, o Ipea avalia que os impactos não serão uniformes. Atividades com maior peso de mão de obra, como serviços prestados a edifícios, limpeza e vigilância, podem registrar aumentos de até 6,5% nos custos operacionais. Além disso, empresas menores enfrentariam maiores dificuldades, havendo sugestões de transição gradual ou contratação em meio período. O instituto também aponta efeitos distributivos: jornadas de 44 horas concentram-se em trabalhadores de menor renda e escolaridade. Enquanto a remuneração média de quem cumpre até 40 horas é de 6.200 reais, quem trabalha 44 horas recebe menos da metade. Mais de 83% dos vínculos de trabalhadores com ensino médio completo ou menor escolaridade superam 40 horas semanais, comparado a 53% entre os que possuem ensino superior.

Outra projeção foi elaborada pelo Banco Inter em abril de 2026, indicando que a jornada de 40 horas poderia reduzir o PIB em cerca de 0,82% no médio prazo, associada a um aumento agregado de 0,47% na produtividade. Contudo, o banco aponta limitações estruturais para compensar perdas, como baixa poupança, rigidez trabalhista e barreiras à importação de tecnologia. Setorialmente, a vigilância lidera a exposição com alta estimada de 5,5% nos custos, seguida pela saúde pública (2%) e agricultura (0,1%), sem impacto relevante em atividades imobiliárias e refino de petróleo.

Já o exercício da FGV Ibre, desenvolvido por Daniel Duque em novembro de 2024 com base na PNAD Contínua, calculou uma perda de renda de 2,6% na simulação de referência para trabalhadores formais. Em um cenário mais desfavorável, a perda de renda atingiria 3,3%, considerando queda de 2,5% no emprego e alta de 0,5% na produtividade média. Com hipóteses alternativas de ganho de 1% na produtividade por hora, a perda recuaria para 2,1%.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/pib-e-emprego-estudos-apontam-efeitos-do-fim-da-escala-6x1-no-cenario-macroeconomico/

Compartilhar