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Etiópia retoma estado de guerra após quatro anos do acordo de paz em Tigray

Confrontos rompem acordo de paz de 2022 na Etiópia com a tomada de aeroportos e formação de nova aliança armada contra o governo federal.

Redação•26 de set. de 2026, 10:29
Etiópia retoma estado de guerra após quatro anos do acordo de paz em Tigray
Imagem: site

Etiópia retoma estado de guerra após quatro anos do acordo de paz em Tigray

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A Etiópia voltou a registrar confrontos armados, encerrando um período de quatro anos de paz que havia sido estabelecido após o fim do conflito na região de Tigray. Na última quarta-feira (23), forças regionais tomaram três aeroportos controlados pelo governo federal, enquanto combates eclodiam simultaneamente nas regiões vizinhas de Amhara e Afar.

As hostilidades recentes romperam o acordo de paz assinado em novembro de 2022 em Pretória, na África do Sul, sob mediação da União Africana. O pacto anterior havia encerrado uma guerra devastadora que durou dois anos e resultou em uma estimativa de cerca de 600 mil mortes, além do deslocamento de milhões de pessoas e de graves crises humanitárias.

As relações entre o governo federal e os líderes de Tigray vinham se deteriorando havia meses. O governo regional de Tigray alegou que as forças federais iniciaram os ataques e classificou a resposta de suas tropas como uma "guerra defensiva". Em contrapartida, Getachew Reda, assessor do primeiro-ministro etíope Abiy Ahmed, acusou a Frente Popular de Libertação do Tigré (TPLF) de lançar uma "ofensiva total" contra posições do governo em Afar e Amhara, além de tomar os três aeroportos.

A escalada ocorre após quase dois meses de confrontos de menor intensidade. De acordo com o projeto de monitoramento Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED), os combates começaram próximo à fronteira com o Sudão em 1º de agosto, acompanhados por ataques de drones federais e pelo deslocamento de tanques e artilharia pelas forças de Tigray em direção ao sul. Com a tomada dos aeroportos, a companhia aérea Ethiopian Airlines suspendeu todos os voos para a região.

O fracasso do acordo de Pretória tem sido atribuído por especialistas a falhas de ambas as partes. Surafel Getahun, pesquisador de geopolítica etíope, afirmou que o pacto foi sistematicamente esvaziado ao longo de três anos, apontando que o governo federal falhou em cumprir pontos fundamentais, como o retorno de deslocados, enquanto a TPLF violou o acordo ao reconstruir suas forças militares e retomar o controle da administração regional.

A TPLF também enfrentou divisões internas. A facção liderada por Debretsion Gebremichael expulsou Getachew Reda do partido e retomou o controle do governo regional em maio de 2025, restabelecendo a legislatura anterior e empossando Gebremichael como presidente regional.

No domingo, a TPLF integrou uma nova aliança com outros seis grupos armados, incluindo antigos adversários da última guerra, com o objetivo de derrubar o governo de Abiy Ahmed e formar uma administração de transição. O porta-voz da TPLF, Michael Asgedom, declarou à Associated Press que o acordo de Pretória "não era mais válido". A coalizão inclui o Movimento Nacional Fano de Amhara, que rompeu com o governo federal em 2023, e o Exército de Libertação Oromo.

A porta-voz governamental Billene Seyoum afirmou que os grupos atuam de forma articulada com apoio financeiro da Eritreia, embora o governo eritreu negue envolvimento. A União Africana classificou a tomada dos aeroportos como incompatível com o acordo de paz e convocou as partes à desescalada, apelando para o auxílio do ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo.

Especialistas alertam que a nova onda de violência pode se expandir e superar a gravidade do conflito anterior. Getahun pontua que uma nova guerra tem potencial para ser consideravelmente mais sangrenta e generalizada, reforçando que a desescalada imediata e o diálogo permanecem como o único caminho viável.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/guerra-volta-etiopia/

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