O governo do presidente norte-americano Donald Trump alertou a Ucrânia e aliados europeus sobre a possibilidade de suspender o compartilhamento de dados de inteligência e as compras europeias de armas destinadas a Kiev. A medida seria aplicada caso o governo ucraniano mantenha os ataques de longo alcance contra instalações de energia russas, de acordo com informações repassadas à CNN por duas autoridades da Europa.
Os avisos partiram do Departamento de Estado e do Pentágono durante o fim de semana, envolvendo inclusive contatos diretos entre as Forças Armadas dos Estados Unidos e comandantes ucranianos. Outra fonte com conhecimento do tema confirmou a ameaça específica de interrupção nas informações de inteligência. A iniciativa foi inicialmente veiculada pelo jornal Financial Times. A CNN buscou posicionamento junto ao Departamento de Defesa, ao Departamento de Estado e à Casa Branca.
Reações e cessar-fogo energético
A postura dos Estados Unidos reflete a insatisfação de Trump com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em razão das ofensivas contra refinarias na Rússia. O líder norte-americano relaciona os impactos da guerra à alta nos preços globais do diesel e tem exigido a paralisação de ataques a alvos energéticos em ambos os lados, agravados também pelo conflito dos EUA com o Irã.
No início do domingo (11), Trump declarou que Rússia e Ucrânia teriam concordado com um cessar-fogo voltado ao setor energético, o que pegou Kiev de surpresa, segundo uma fonte ligada a Zelensky. Por meio da rede social X, Zelensky afirmou que a Ucrânia apoia a trégua e aguarda detalhes dos Estados Unidos, reforçando a necessidade de adesão russa.
Impactos operacionais e histórico recente
Fontes europeias classificaram o suporte de inteligência e o fluxo de armamentos como vitais, avaliando eventual interrupção como um momento grave para a segurança ucraniana. Os dados fornecidos por Washington auxiliam na defesa contra mísseis balísticos russos, informando posições de lançadores, alvos e o momento dos ataques.
Já a paralisação nas aquisições de armamentos por meio do mecanismo conhecido como Lista de Requisitos Prioritários da Ucrânia (PURL) afetaria de forma crítica o envio de mísseis interceptadores Patriot, item escasso em meio à intensificação de investidas russas com drones e mísseis. Durante o fim de semana, a Otan ainda não havia detectado alterações no programa PURL.
O histórico recente aponta um precedente: em março de 2025, o governo Trump já havia interrompido temporariamente o repasse de inteligência após um encontro tenso entre Trump e Zelensky no Salão Oval, restabelecendo o fluxo posteriormente mediante a aceitação ucraniana de uma proposta de cessar-fogo negociada na Arábia Saudita.
A relação entre Trump e Zelensky permanece fragilizada, tensionada por acordos entre os EUA e o presidente russo, Vladimir Putin, para o fornecimento de diesel russo aos mercados, e por declarações feitas por Trump no sábado (10), sugerindo que a Ucrânia deveria considerar a substituição de seu principal líder.
