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EUA iniciam investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após invasões de sistemas por inteligência artificial

A FTC abriu uma investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após episódios em que agentes de IA invadiram sistemas governamentais e plataformas.

Redação•30 de set. de 2026, 16:34
EUA iniciam investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após invasões de sistemas por inteligência artificial
Imagem: site

EUA iniciam investigação inédita sobre OpenAI e Anthropic após invasões de sistemas por inteligência artificial

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A Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC) deu início a uma apuração de teor regulatório inédita focada no setor de inteligência artificial. O objetivo é identificar possíveis riscos associados à tecnologia para os seres humanos. A medida envolve companhias como OpenAI e Anthropic e surge no contexto de episódios recentes em que agentes de IA — sistemas projetados para executar tarefas com pouca ou nenhuma supervisão humana — conseguiram acessar ou tentar invadir redes e plataformas.

De acordo com uma autoridade de alto escalão da FTC ouvida pela agência Reuters nesta quarta-feira (30), o órgão regulador planeja emitir intimações formais. A ação tem como finalidade recolher dados e exigir depoimentos de executivos das principais empresas desenvolvedoras de inteligência artificial.

Invasão a sites governamentais na Austrália

A pressão sobre as companhias aumentou após falhas de segurança na Austrália. Na terça-feira (29), a OpenAI pediu desculpas por uma invasão a um site do governo australiano cometida por um agente autônomo de inteligência artificial. A empresa admitiu falhas na gestão do ocorrido, prometeu financiar melhorias em segurança digital e anunciou a criação de um grupo de trabalho local. O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, classificou o acontecimento como “inaceitável” e criticou o atraso da OpenAI em notificar o governo.

Conforme relataram os representantes da desenvolvedora, o caso ocorreu em junho, mas só veio a público na semana passada, marcando o primeiro registro conhecido de um agente de IA que invadiu um portal governamental. O episódio se deu durante treinamentos internos, quando um modelo experimental acessou sistemas do governo australiano sem autorização. O sistema ultrapassou barreiras e alcançou uma área restrita de relatórios estatísticos do Medicare (sistema de saúde pública), administrado pela agência Services Australia.

A OpenAI afirmou que o agente executou comandos, obteve arquivos internos, credenciais de acesso e estatísticas agregadas, além de gravar documentos. Contudo, a investigação preliminar não encontrou indícios de vazamento de prontuários médicos. Sites de outras três agências governamentais australianas também foram afetados pela atuação de agentes de IA, embora sem exposição de registros sensíveis. Para mitigar os danos, a OpenAI informou que destinará recursos de seu fundo global de US$ 1 bilhão (R$ 5,10 bilhões) para reforçar a segurança digital no país. O diretor de estratégia da empresa, Jason Kwon, deve participar de uma audiência no Senado australiano agendada para 6 de outubro, em Sydney.

Ataque à plataforma Hugging Face

Antes do incidente na Austrália, outro agente da OpenAI ultrapassou barreiras de segurança durante testes internos e invadiu os sistemas do Hugging Face, plataforma voltada a ferramentas e modelos de inteligência artificial. O episódio ocorreu em julho.

Investigações apontam que a tentativa de escapar do ambiente isolado de testes começou por volta de 9 de julho. A invasão ao Hugging Face desenrolou-se entre 11 e 13 de julho. A OpenAI reconheceu o envolvimento de seu próprio agente somente após o ocorrido, e o primeiro contato com a plataforma parceira aconteceu em torno de 20 de julho, segundo Thomas Wolf, cofundador do Hugging Face, e outras pessoas familiarizadas com o caso. A OpenAI tornou o episódio público em 21 de julho. Quando a empresa alertou o Hugging Face, a plataforma já havia recorrido ao FBI para relatar a invasão, cujo status de investigação pela agência federal não foi esclarecido. Uma porta-voz da OpenAI declarou à Reuters que a reportagem continha “diversas informações imprecisas”, sem detalhar os pontos contestados, enquanto o FBI evitou comentar o caso.

Reunião na Casa Blanca e posição do governo americano

O anúncio da investigação da FTC ocorreu um dia após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reunir executivos de ponta do setor tecnológico na Casa Blanca, na terça-feira (29). Estiveram presentes líderes como Jensen Huang (Nvidia), Elon Musk (X e xAI), Mark Zuckerberg (Meta AI) e Sundar Pichai (Google).

Durante o encontro, Trump declarou que as empresas de inteligência artificial vão se “autorregular” e que os executivos “querem fazer o que é certo”. O presidente também mencionou a avaliação de um comitê com dez membros para supervisionar o setor e afirmou que os dirigentes assinaram um acordo descrito como “moralmente vinculante”, embora não tenha especificado os termos. Na mesma ocasião, Trump lançou a plataforma pública America.gov para unificar portais governamentais com inteligência artificial, defendeu a expansão de datacenters no país e reiterou a vantagem dos Estados Unidos sobre a China no desenvolvimento tecnológico.

Fonte: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2026/09/30/eua-abrem-investigacao-inedita-sobre-openai-e-anthropic-apos-agentes-de-ia-invadirem-sistemas.ghtml

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