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EUA minimizam perigos na América Latina em novas avaliações internos

Documentos internos mostram que o Departamento de Estado dos EUA comparou a criminalidade de países latinos à de cidades americanas para restringir pedidos de asilo.

Redação•21 de out. de 2026, 14:30
EUA minimizam perigos na América Latina em novas avaliações internos
Imagem: site

EUA minimizam perigos na América Latina em novas avaliações internos

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Documentos internos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, obtidos com exclusividade pela CNN, revelam que a agência forneceu aos agentes de asilo novas avaliações que argumentam que as condições em alguns países da América Latina não são mais perigosas do que em certas cidades americanas.

As análises têm como foco o México, Honduras, a Guatemala e El Salvador. Enquanto os alertas públicos do próprio Departamento de Estado destacam problemas de direitos humanos, sequestros e extorsões, os novos documentos comparam as taxas de crimes violentos dessas nações com as de cidades dos EUA como Baltimore, Houston e Memphis, sugerindo um panorama menos severo. A medida integra um esforço mais amplo da administração de Donald Trump para reformular a análise de pedidos de imigrantes e restringir a permanência no país.

Para obter asilo, os solicitantes devem comprovar um “temor fundamentado” de perseguição no país de origem. A minimização das ameaças por parte das novas avaliações impacta diretamente esses processos, influenciando decisões sobre a possibilidade de os imigrantes se realocarem com segurança dentro de seus próprios territórios, em vez de buscar refúgio nos EUA.

Andrew Selee, presidente do centro de estudos apartidário Migration Policy Institute, declarou: “Houve uma simplificação excessiva dos perigos reais nesses países durante outras administrações, mas isso parece estar indo longe demais na direção oposta”. Ele também pontuou que a divergência acentuada acende um sinal de alerta e que a mudança parece radical em relação à realidade local.

O Departamento de Estado defendeu que as avaliações foram elaboradas por funcionários com experiência regional para embasar a atuação de responsáveis por análises de proteção, incluindo missões no exterior. Em comunicado por escrito, um porta-voz do órgão afirmou que informações sobre condições estrangeiras podem ser fornecidas ao USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA) e aos tribunais de imigração para oferecer um embasamento útil.

Os relatórios foram distribuídos ao USCIS, agência vinculada ao DHS (Departamento de Segurança Interna dos EUA) que processa benefícios imigratórios. Documentos apontam que a criminalidade violenta no México e em El Salvador apresenta taxas “pelo menos uma ordem de grandeza inferiores às de grandes cidades americanas” em muitas áreas.

As novas avaliações oferecem dados recentes aos agentes, suprindo a lacuna deixada pelo atraso do relatório anual sobre direitos humanos do Departamento de Estado deste ano. O índice de indeferimento de pedidos de asilo já é elevado, registrando 94% de negações em junho, conforme dados do Centro de Acesso a Registros Transacionais da Universidade de Syracuse, representando um salto em relação aos cerca de 50% de dois anos atrás.

Sobre a capacidade de proteção estatal, os documentos internos argumentam que a polícia em Honduras está apta a responder a chamados, enfrentando limitações como escassez de veículos e tempo de resposta que também ocorreriam nos EUA. Contudo, Selee contestou a visão, afirmando que a análise subestima o conluio entre forças policiais e o crime organizado.

A administração Trump sustenta que os alertas públicos de viagem — que desaconselham visitas a locais como Honduras e México — destinam-se a cidadãos americanos e a riscos específicos para turistas ou viajantes, e não necessariamente refletem a segurança cotidiana dos moradores locais.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/exclusivo-cnn-eua-minimizam-perigos-na-america-latina-em-novas-avaliacoes/

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