Medidas restritivas atingem diversos setores
Os Estados Unidos anunciaram na última terça-feira (8) que, em um prazo de três semanas, irão proibir a importação de diversos produtos canadenses, incluindo laticínios, motocicletas e a maior parte das bebidas alcoólicas. A decisão representa uma intensificação significativa na guerra comercial entre as duas nações, ocorrendo logo após o Canadá impor tarifas que somam 27 bilhões de dólares canadenses sobre produtos americanos.
Justificativa e base legal
De acordo com uma autoridade dos EUA, as novas restrições devem afetar importações avaliadas em bilhões de dólares. A administração de Donald Trump justifica a medida como uma resposta direta às tarifas canadenses e uma estratégia para proteger a produção doméstica. A base legal utilizada é a Seção 338 da Lei Tarifária de 1930, que concede ao presidente o poder de barrar importações de países que sejam considerados discriminatórios contra o comércio dos Estados Unidos.
Tensões nas relações bilaterais
O cenário marca uma nítida deterioração das relações entre dois aliados históricos. No ano anterior, o fluxo comercial entre os países atingiu quase US$ 900 bilhões. A escalada ocorre após o fracasso das negociações para um novo acordo comercial no mês passado.
Em resposta, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, avalia as novas restrições e afirmou que não considera a escalada produtiva, embora defenda as tarifas impostas pelo Canadá como fundamentais para a proteção de seus trabalhadores e empresas. O ministro Dominic LeBlanc ressaltou que Ottawa mantém a disposição para negociar quando Washington estiver pronto.
Impactos adicionais
Além das proibições, os EUA aplicarão uma tarifa adicional de 50% sobre itens como queijo, móveis e papel a partir da próxima semana. Agências do governo americano também foram proibidas de adquirir produtos canadenses, e o presidente Donald Trump chegou a solicitar um boicote à fabricante de jatos Bombardier, empresa que possui forte presença e cadeia de suprimentos nos Estados Unidos.
O momento também é de fragilidade política para Trump. Dados recentes mostram uma queda em sua popularidade, com preocupações crescentes entre os republicanos de que a atual política econômica possa afetar negativamente o desempenho do partido nas próximas eleições legislativas de novembro.
