Enviados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, informaram autoridades ucranianas na sexta-feira (9) que um acordo para permitir a exportação de diesel russo faz parte de uma tentativa de trazer a Rússia de volta à mesa de negociações. A informação foi repassada à Reuters por três pessoas a par do encontro.
O enviado de Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e seu genro, Jared Kushner, reuniram-se com ucranianos em Miami. Na ocasião, declararam que o presidente russo, Vladimir Putin, não estava disposto a negociar o fim do conflito — que já dura quatro anos e meio — e que o acordo anunciado na semana passada poderia ajudar a retomar conversas trilaterais. A informação foi confirmada por duas das fontes sob condição de anonimato.
Uma terceira pessoa afirmou que os EUA transmitiram a ideia de que o acordo sobre o diesel serviria para suavizar a posição de Moscou, enviando um sinal de que Trump está aberto a realizar ações conjuntas com a Rússia. O acordo prevê o fornecimento de mais de 2,25 milhões de barris de diesel aos mercados dos EUA e global, gerando críticas de legisladores americanos que apontam o financiamento da guerra sem exigência de concessões por parte de Putin.
Na segunda-feira (12), Trump defendeu publicamente o pacto, classificando-o como a escolha certa para o povo americano e argumentando que ele reduzirá os preços de energia nos EUA, tema sensível antes das eleições de meio de mandato que definirão o controle do Congresso. Kushner também reiterou o pedido para que a Ucrânia interrompa os ataques a refinarias russas, sob a alegação americana de que tais ações elevam os custos globais de combustíveis — embora especialistas apontem a guerra no Irã como o principal fator.
No domingo (11), Trump anunciou uma trégua energética entre Moscou e Kiev, mas os lados em conflito não confirmaram o cessar-fogo, e a Rússia atacou alvos do setor energético ucraniano na segunda-feira. A embaixada russa em Washington e o gabinete presidencial em Kiev não responderam imediatamente a pedidos de comentário. Uma pessoa próxima ao Kremlin afirmou que o acordo é uma maneira de trazer a Rússia de volta às negociações, acrescentando que Putin só retornará quando conseguir os 11% restantes de Donbas para apresentar como vitória interna. A Ucrânia declarou que não cederá mais territórios, mas aceita o congelamento nas linhas atuais.
Autoridades ucranianas e europeias manifestaram ceticismo em relação à estratégia dos EUA, vendo-a como uma tentativa de apaziguamento. A reunião em Miami também abordou garantias de segurança para Kiev, fundos de reconstrução e a necessidade de formalizar planos de investimento. Os ucranianos deixaram o encontro sem firmar acordos formais, mas sinalizaram disposição em aceitar a trégua energética caso a Rússia reciprocasse. Segundo as fontes, os enviados americanos não ameaçaram retirar o apoio militar e de inteligência a Kiev caso o país mantivesse os ataques a refinarias.
