O governo dos Estados Unidos interrompeu os atendimentos presenciais em sua embaixada em Brasília e em seus consulados espalhados pelo país nesta sexta-feira, 2. A determinação foi divulgada na quinta-feira e teve como justificativa motivos de segurança que não foram detalhados pelas autoridades.
A paralisação afeta a representação diplomática na capital federal, além das unidades localizadas em Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Os funcionários das unidades diplomáticas foram orientados a exercerem suas funções em regime de trabalho remoto. Já os cidadãos norte-americanos que necessitarem de suporte foram instruídos a buscar contato com o oficial de plantão designado, sendo desaconselhado o comparecimento físico às instalações.
Apesar da medida, o Departamento de Estado manteve a classificação de risco do Brasil inalterada no nível 2 de uma escala que possui quatro níveis, embora localidades específicas apresentem avaliações de risco mais elevadas.
Contexto de tensão e protestos recentes
O fechamento temporário ocorre após episódios de tensão registrados no mês anterior, quando os muros da embaixada americana em Brasília sofreram pichações, uma bandeira dos Estados Unidos foi queimada e objetos foram dispostos na calçada do local. Os manifestantes escreveram frases em inglês e português criticando a atuação militar norte-americana, além de deixarem cartazes e materiais que remetiam à indústria bélica, acompanhados por objetos que aparentavam ser ossos. A perícia técnica atuou no local para recolher os vestígios e examinar um princípio de incêndio que já havia sido apagado.
O cenário coincide com um período de desgaste nas relações bilaterais. Em julho, a gestão do presidente Donald Trump aplicou uma taxa extra de 25% sobre determinados itens brasileiros, resultado de uma apuração comercial do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos que passou a valer no dia 22 do mesmo mês.
No âmbito diplomático, o governo norte-americano cassou o visto da embaixadora do Brasil nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O atrito diplomático também envolve a falta de concessão do agrément por parte de Brasília ao diplomata Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a embaixada na capital brasileira e apontado como próximo a Rubio, cuja indicação gerou críticas do governo brasileiro por ter sido anunciada de forma antecipada.
