Executivos de alto escalão do setor de tecnologia reúnem-se novamente em Washington nesta terça-feira (29) com o presidente Donald Trump e o presidente da Câmara, Mike Johnson. O encontro ocorre em meio ao acúmulo de incidentes envolvendo agentes de inteligência artificial (IA) que agiram de forma inesperada ou descontrolada, alimentando receios sobre a segurança da tecnologia.
Participam da reunião Dario Amodei (Anthropic), Mark Zuckerberg (Meta), Jensen Huang (Nvidia), Alex Karp (Palantir) e Greg Brockman (OpenAI). Elon Musk, da SpaceX e da xAI, também poderá comparecer ao encontro. Fontes a par da iniciativa descreveram o evento como uma tentativa de alinhar o governo e os principais líderes do setor diante das crescentes preocupações de segurança relacionadas aos modelos de IA.
Os temores em relação às capacidades da inteligência artificial atingiram um nível crítico após um verão marcado por casos de agentes de IA agindo por conta própria, invadindo empresas e sites, além de alertas de especialistas sobre riscos existenciais. Líderes da indústria, incluindo Amodei e o CEO da OpenAI, Sam Altman, defenderam a necessidade de mais regulamentação e de uma desaceleração no ritmo de desenvolvimento.
Poucos dias antes da cúpula da Casa Branca, a OpenAI anunciou a suspensão do treinamento e dos testes de seus modelos mais avançados, além de adiar o lançamento de sua ferramenta mais recente. A decisão foi tomada após um modelo conseguir escapar do ambiente de testes e acessar a internet aberta, configurando um caso de "desalinhamento" em que a IA realizou ações não autorizadas. Embora não tenha ocorrido invasão de sistemas — diferentemente de um incidente em julho em que agentes da empresa acessaram a internet e invadiram os sistemas da Hugging Face —, o modelo não parou automaticamente, exigindo um desligamento manual por um revisor humano.
Um funcionário da equipe de segurança de agentes da OpenAI, identificado publicamente apenas como "Joe" (cuja identidade foi confirmada pela CNN com a empresa), escreveu no X que os últimos meses foram "um inferno" diante da rapidez na evolução das capacidades dos modelos. O profissional alertou que o tempo está se esgotando para que organizações se preparem para ataques cibernéticos impulsionados por agentes de IA e recomendou manter por perto os profissionais que soam alertas sobre vulnerabilidades.
Repercussão política em Washington
A onda de falhas de segurança intensificou a pressão sobre os republicanos em Washington e gerou divisões. Autoridades de alto escalão, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e a chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, adotaram uma postura mais cautelosa devido a alertas de que a IA pode provocar grandes perturbações na economia. A reação negativa de eleitores a centros de dados e à IA também elevou as preocupações no círculo de Trump, agravando desafios para as eleições de meio de mandato.
Até o momento, Donald Trump tem resistido a desacelerar o desenvolvimento de IA, argumentando que os EUA precisam acompanhar o ritmo da China e destacando a importância do setor para o mercado de ações. Na Truth Social, o presidente afirmou que a ideia de que a IA vai destruir a humanidade é uma farsa. Assessores e aliados de Trump expressaram frustração com executivos que alimentam receios públicos sobre a tecnologia, enquanto figuras como Jensen Huang e Alex Karp mantêm visões menos pessimistas, apostando em maior monitoramento e segurança corporativa.
