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Extrema direita amplia vantagem em eleição regional na Alemanha, aponta boca de urna

A Alternativa para a Alemanha (AfD) conquista vitória histórica na Saxônia-Anhalt, consolidando-se como principal força de oposição para as eleições de 2025.

Redação•06 de set. de 2026, 19:30
Extrema direita amplia vantagem em eleição regional na Alemanha, aponta boca de urna
Imagem: site

Extrema direita amplia vantagem em eleição regional na Alemanha, aponta boca de urna

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A extrema direita alemã reivindicou uma vitória histórica neste domingo, 6, nas eleições da Saxônia-Anhalt, embora ainda não esteja claro se conseguirá governar este estado da antiga Alemanha Oriental. O partido Alternativa para a Alemanha (AfD), que mantém uma postura anti-imigração e proximidade com os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, consolidou-se como a principal força de oposição nacional visando as eleições legislativas de 2025.

Segundo resultados preliminares divulgados pelos canais públicos ARD e ZDF, o AfD obteve 44,5% dos votos, abrindo uma ampla vantagem sobre a conservadora União Democrata Cristã (CDU), que alcançou aproximadamente 18,5%. No momento, a extrema direita teria 39 cadeiras no Parlamento regional, restando apenas três para as 42 necessárias para a maioria absoluta. Vale ressaltar que nenhum estado alemão é governado pela extrema direita desde 1945.

Os social-democratas (SPD), o partido de esquerda Die Linke e os Verdes aparecem bem atrás, com cerca de 9% dos votos cada. Há ainda incerteza se a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), de orientação esquerdista e pró-Rússia, conseguirá atingir os 5% necessários para ingressar no Parlamento.

Ulrich Siegmund, líder regional do AfD, declarou à ARD que o partido fez história e que o país necessita de uma mudança política fundamental. Em Magdeburgo, capital regional, o clima entre simpatizantes era de euforia. Angela Maike, uma aposentada de 65 anos, expressou sua surpresa positiva com o resultado durante as comemorações locais.

Apoio para governar?

Sem a maioria absoluta, Siegmund precisará buscar alianças para governar o estado de 2,1 milhões de habitantes, uma das regiões mais pobres da antiga Alemanha Oriental. Apesar de Siegmund afirmar estar de “mão estendida” e da copresidente nacional do AfD, Alice Weidel, ter pedido negociações à CDU, o partido do chanceler Friedrich Merz descartou, até o momento, qualquer coalizão com a extrema direita.

A derrota expressiva pode intensificar o debate interno na CDU sobre uma possível aproximação com o AfD. A participação eleitoral foi notável, atingindo 78%, um aumento de 18 pontos percentuais em relação a 2021. Se assumir o governo, Siegmund planeja endurecer a política migratória, extinguir a frequência escolar obrigatória e alterar o currículo de história, por considerá-lo excessivamente focado na responsabilidade alemã pelos crimes do Terceiro Reich.

O resultado gerou reações imediatas: Josef Schuster, presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, declarou-se consternado. Por outro lado, o AfD capitalizou a nostalgia pela extinta República Democrática Alemã (RDA) entre eleitores que se sentem desfavorecidos. Enquanto alguns cidadãos, como o funcionário Peter Harmuth, elogiam a proximidade de Siegmund com o povo, outros, como Sarah Stellmacher, esperavam um voto favorável à democracia para conter o avanço da extrema direita em um país marcado pelo nazismo.

O pleito foi um duro golpe para a CDU de Merz e para o chefe do governo regional, Sven Schulze, com o partido recebendo metade dos votos obtidos em 2021.

‘Mensagem clara’

Friedrich Merz, que assumiu em maio de 2025 com promessas de endurecer a imigração, enfrenta queda nas pesquisas devido à economia fraca, conflitos na coalizão federal e gafes. Sven Schulze reconheceu a derrota e afirmou que os eleitores enviaram uma mensagem clara que deve ser compreendida pelas lideranças. Diante do risco de confrontos entre militantes de extremos opostos, a polícia reforçou a segurança em Magdeburgo, cercando o Parlamento regional (Landtag) com barreiras metálicas.

Fonte: https://veja.abril.com.br/brasil/extrema-direita-amplia-vantagem-em-eleicao-regional-na-alemanha-aponta-boca-de-urna/

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