A ExxonMobil e a ConocoPhillips avançaram em tratativas com a estatal venezuelana PDVSA (Petróleos de Venezuela S.A.) para retomar as atividades no Cinturão do Orinoco, na Venezuela. O movimento ocorre quase duas décadas após as petroleiras deixarem o país sul-americano.
As conversas da ExxonMobil envolveram o projeto Petromonagas e áreas do bloco Carabobo. Segundo informações do jornal The Wall Street Journal, a companhia se aproxima de um acordo preliminar com a PDVSA para realizar investimentos em campos petrolíferos que totalizam mais de 50 bilhões de barris de petróleo. Enquanto a ExxonMobil avançou nas tratativas nesta quarta-feira (16.set.2026), a ConocoPhillips mantém o seu retorno condicionado à quitação de dívidas decorrentes da expropriação de seus ativos.
O avanço das petroleiras ocorre na sequência de um acordo anunciado pela Casa Branca em 31 de agosto de 2026 com as autoridades interinas venezuelanas. O pacto concedeu à NABEP (North American Blue Energy Partners) concessões válidas por 100 anos para a exploração de 17 campos com reservas comprovadas estimadas em cerca de 65 bilhões de barris.
Termos do acordo e atuação dos EUA
O documento de concessão foi formalizado pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, e pelo secretário de Guerra, Pete Hegseth. Entre as principais diretrizes estabelecidas no acordo, destacam-se:
- Concessão de 100 anos para a exploração de 17 campos de petróleo na Venezuela;
- Reserva comprovada de aproximadamente 65 bilhões de barris;
- Transferência de 35% de participação na controladora da NABEP para o Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos EUA, sem nenhum custo para os contribuintes norte-americanos;
- Direito do Departamento de Estado norte-americano de adquirir 20% de toda a produção a preço de custo, voltada para suprimento militar e recomposição da SPR (Reserva Estratégica de Petróleo);
- Direito de preferência na compra dos 80% restantes da produção em cenários de emergência no continente;
- Conselho da NABEP formado majoritariamente por cidadãos dos EUA, com direito de veto pelo governo norte-americano e sob jurisdição de tribunais federais dos Estados Unidos.
Conforme dados divulgados pela Casa Branca, a NABEP projeta captar capital privado para injetar até US$ 100 bilhões em infraestrutura no território venezuelano. Além disso, a nova Lei de Hidrocarbonetos estima o recolhimento de US$ 200 bilhões em impostos e royalties para o Estado da Venezuela ao longo dos primeiros 25 anos de operação. Parte dessa arrecadação deverá ser direcionada para a reconstrução do país após os terremotos registrados em junho de 2026.
Contexto político e histórico
Segundo a administração dos EUA, a maior parte dos campos concedidos à NABEP estava sob controle ou operação prévia de empresas russas, chinesas ou de grupos associados aos governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro. A medida foi classificada pela Casa Branca como uma reafirmação da Doutrina Monroe.
As desavenças históricas remontam a 1º de maio de 2007, quando a PDVSA assumiu o projeto Cerro Negro sob a nacionalização do governo de Hugo Chávez. Em 27 de junho de 2007, a participação da ExxonMobil no mesmo projeto foi expropriada após recusa da empresa aos termos impostos, resultando na saída da companhia e em uma longa série de disputas e arbitragens internacionais em tribunais vinculados à Câmara de Comércio Internacional e ao Banco Mundial ao longo dos anos.
