A instabilidade e a falta de energia elétrica de qualidade no campo provocaram a morte de aproximadamente 450 mil peixes, o que equivale a 230 toneladas, em uma propriedade rural localizada em São João do Ivaí, no Norte do Paraná. De acordo com estimativas da FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná), os prejuízos podem alcançar R$ 2,5 milhões e ameaçam o cumprimento de contratos comerciais.
O produtor rural Edilson Pini, cuja família atua na piscicultura há cerca de 40 anos, relata que os problemas iniciaram em 29 de setembro, quando o fornecimento de energia foi interrompido por volta das 14h. O primeiro chamado à Copel (Companhia Paranaense de Energia) foi registrado às 15h16. Diante da falha, um gerador da propriedade foi acionado, mas acabou sofrendo uma pane por volta das 20h, queimando dois motores de arranque e inutilizando a placa de automação, com custos de reparo estimados em R$ 20 mil.
Durante a noite, Pini, sua esposa e dois funcionários tentaram manter os peixes vivos manualmente com oxigênio granulado, sem sucesso devido ao volume de animais. A energia só foi restabelecida às 13h do dia 30 de setembro, totalizando cerca de 23 horas de interrupção. O produtor afirma ter feito 28 contatos com a concessionária por WhatsApp, telefone 0800, além de buscar a central de Londrina, a gerência de Ivaiporã e técnicos responsáveis.
A propriedade afetada produz cerca de 800 toneladas de peixes anualmente em 15 viveiros e mantém um frigorífico próprio. O plantel perdido comprometimento a produção dos próximos quatro meses e põe em risco o atendimento a programas de alimentação escolar em 22 municípios paranaenses, além de instituições como a Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros, o Sesc e o Senac.
Impactos no setor e posicionamento da FAEP
O presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou em nota que a falta de energia compromete investimentos e ameaça a continuidade da atividade de piscicultura. Segundo ele, as falhas obrigam piscicultores a utilizarem geradores a diesel, elevando os gastos com combustível e manutenção. Meneguette ressaltou que a falta de eletricidade cessa a oxigenação nos tanques, resultando na perda de animais e em prejuízos milionários em poucas horas, e cobrou soluções urgentes da Copel para o atendimento rural.
Edio Chapla, presidente da Comissão Técnica de Aquicultura do Sistema FAEP e do Sindicato Rural de Marechal Cândido Rondon, explicou que a baixa oxigenação prejudica o ganho de peso diário dos peixes, prolongando o ciclo nos tanques. Chapla também pontuou que o problema gera desgaste psicológico nos produtores, que precisam monitorar constantemente os equipamentos, além de elevar os custos operacionais com diesel, óleo e manutenção, representando mais de 55% do custo do lote.
Resposta da Copel
Por meio de nota oficial, a Copel informou que, no dia 29 de setembro, tempestades no estado interromperam o fornecimento de 173,7 mil unidades consumidoras, sendo 107,2 mil apenas na região Noroeste (61,7% do total). Em São João do Ivaí e cidades vizinhas, foram atendidas 385 ocorrências com reforço de equipes da Base de Serviços de Ivaiporã e do programa Copel Agro.
A companhia declarou que mobilizou cinco equipes após o acionamento do cliente para realizar a reconstrução de trechos da rede danificados por rompimento de cabos, quebra de postes e queda de galhos em áreas de mata e difícil acesso. A empresa destacou ainda que o Paraná registrou cinco eventos climáticos consecutivos de grande intensidade em um período de 35 dias entre setembro e outubro, e que mantém investimentos na infraestrutura elétrica e planos de contingência.
