O debate sobre o ajuste fiscal no Brasil para as eleições de 2026 tem sido marcado pela superficialidade, segundo o gestor Luiz Parreiras, da Verde Asset. Em entrevista ao programa Capital Insights, da CNN Money, ele destacou que a incerteza em relação às contas públicas e fatores externos pressionam as expectativas do mercado, independentemente do resultado eleitoral.
Crédito e credibilidade das propostas
Parreiras afirmou que o governo atual, liderado pelo presidente Lula (PT), tenta sinalizar uma política fiscal mais responsável, mas a credibilidade dessas promessas é baixa devido a ações anteriores que contrariam o discurso. Já em relação à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL), ele reconheceu uma busca por sinalizar responsabilidade fiscal, mas com pouca profundidade nos detalhes.
"O mercado tende a dar mais credibilidade para as candidaturas de direita em termos de política fiscal, sem ter muito detalhe, enquanto tende a dar menos credibilidade para as declarações da candidatura à reeleição do Lula pela política que ele realizou nos últimos três anos e meio", declarou.
Cenário eleitoral e impactos no mercado
Na Verde Asset, a equipe trabalha com a premissa de uma eleição "extremamente competitiva", com probabilidade próxima a 50% de um cenário entre Lula e Flávio Bolsonaro. O gestor destacou que o mercado não precifica um ajuste fiscal profundo, mas também não projeta uma piora adicional. Na Bolsa, por exemplo, uma vitória da direita poderia impulsionar o mercado, enquanto a reeleição de Lula ofereceria menos espaço para alta.
Parreiras também mencionou a volatilidade recente, como o pacote de ajuste fiscal anunciado no fim de 2024, acompanhado de isenções tributárias, em um momento de alta do dólar. "Existem maneiras de fazer proteção, com algum grau de sofisticação, que se beneficiam caso, em vez de falar de ajuste fiscal, venha a falar de transporte público gratuito para todos", afirmou.
