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FAO reconhece duas brasileiras entre 100 mulheres que transformam o agro

A FAO reconheceu Joana Rodrigues Mousinho, de Pernambuco, e Luena Pataxó, da Bahia, entre 100 mulheres que transformam os sistemas agroalimentares mundialmente.

Redação•15 de out. de 2026, 10:30
FAO reconhece duas brasileiras entre 100 mulheres que transformam o agro
Imagem: site

FAO reconhece duas brasileiras entre 100 mulheres que transformam o agro

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A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reconheceu nesta quinta-feira (15), em Roma, na Itália, a trajetória de duas brasileiras entre as 100 mulheres homenageadas mundialmente por suas contribuições aos sistemas agroalimentares e ao desenvolvimento rural.

As escolhidas foram Joana Rodrigues Mousinho, de 70 anos, com mais de seis décadas de experiência na pesca artesanal em Pernambuco, e Luena Maria Ferreira dos Santos, a Luena Pataxó, de 44 anos, atuante na organização de pescadores indígenas no sul da Bahia. Ambas foram indicadas pelo Ministério das Mulheres e selecionadas em um processo que contabilizou mais de 600 inscrições procedentes de mais de 131 países. A premiação ocorre no âmbito do Fórum Mundial da Alimentação, que em 2026 celebra o Ano Internacional da Mulher Agricultora.

As histórias de Joana e Luena convergem na defesa da pesca artesanal, na organização comunitária e na ampliação da participação feminina nas decisões sobre seus trabalhos e territórios. Elas também integram o Fórum de Políticas Públicas de Autonomia Econômica e Cuidado com Mulheres da Pesca, Aquicultura Artesanal e Marisqueiras.

Trajetória e atuação de Joana Mousinho

Natural de Pernambuco, Joana atua na pesca desde a infância no Canal de Santa Cruz, localizado em Itapissuma, no litoral norte do estado. Sua trajetória abrange a captura e a comercialização de peixes, camarões, mariscos e siris, além da mobilização por direitos das trabalhadoras. Ela foi uma das primeiras mulheres no país a obter o Registro Geral da Atividade Pesqueira (RGP) e a primeira a presidir uma colônia de pescadores.

Joana também participou da fundação da Articulação Nacional das Pescadoras, movimento voltado a dar visibilidade às mulheres da atividade e reivindicar seus direitos profissionais. Em 2024, foi contemplada com o Prêmio Mulheres das Águas, concedido pelo Ministério da Pesca e Aquicultura na categoria Pesca Artesanal em Águas Marinhas, e atua na defesa de comunidades e territórios costeiros contra a expansão de grandes empreendimentos.

Para Joana, a homenagem possui um caráter coletivo. “Este reconhecimento da FAO incentiva as mulheres a lutar e a participar cada vez mais dos espaços de decisão, porque vemos que estamos ganhando visibilidade. Foi uma conquista, minha comunidade está muito feliz e agradecida”, afirmou.

Liderança indígena de Luena Pataxó

No sul da Bahia, Luena Pataxó conduz um trabalho voltado à organização de pescadores indígenas, geração de renda e valorização da cultura de seu povo. Ela exerce a presidência da Associação dos Pescadores Indígenas Pataxó (Apip), sediada no distrito de Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, além de presidir o Comitê de Relacionamento de Pescadores do extremo sul baiano, que abrange oito municípios e 13 associações.

Sob sua liderança, a associação expandiu parcerias institucionais e viabilizou melhorias para os profissionais locais, com foco em segurança no mar e geração de renda para famílias dependentes da pesca artesanal de camarão. Luena instituiu o Grupo de Trabalho Indígena Nacional por meio do Plano Nacional da Pesca Artesanal, conduzido pelo Ministério da Pesca. Ela também venceu a etapa estadual e alcançou o terceiro lugar na etapa nacional do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios na categoria Produtora Rural.

A liderança indígena atua em instâncias de governança pesqueira e na promoção de práticas sustentáveis. “É uma honra ter o reconhecimento internacional da luta do meu povo indígena, que não é de hoje, e é diária. A homenagem não é para mim, estou representando a minha comunidade. Carrego comigo minha raiz e meus parentes indígenas. Somos os guardiões do meio ambiente”, declarou Luena, associando a preservação ambiental aos saberes tradicionais que guiam a atividade.

Contexto global e declarações oficiais

A iniciativa das 100 Mulheres Heroínas dos Sistemas Agroalimentares e do Desenvolvimento Rural destaca mulheres atuantes na produção, distribuição de alimentos, empreendedorismo rural, ciência, inovação, conservação ambiental e liderança comunitária. Dados da FAO indicam que as mulheres respondem por 41% da força de trabalho mundial nos sistemas agroalimentares, enfrentando de maneira desproporcional empregos precários, condições desfavoráveis e restrições de acesso a direitos.

Jorge Meza, representante da FAO no Brasil, pontua que a seleção de Joana Mousinho e Luena Pataxó evidencia realizações individuais e o compromisso brasileiro com o fortalecimento de agricultoras, pescadoras, empreendedoras e líderes comunitárias. A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, ressalta que a premiação reforça a necessidade de assegurar a participação das pescadoras nas decisões de políticas públicas que impactam suas trajetórias.

Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/fao-reconhece-duas-brasileiras-entre-100-mulheres-que-transformam-o-agro/

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