A busca pela redução da dependência de fertilizantes importados figura entre as diretrizes propostas por Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o agronegócio. Ambos os candidatos associam a produção interna à segurança alimentar, mas divergem quanto às estratégias para impulsionar a oferta doméstica.
Propostas de Flávio Bolsonaro
Flávio Bolsonaro defende em seu plano de governo que "comida barata também é segurança alimentar: um país que produz o próprio alimento não fica refém do preço lá de fora". A estratégia envolve o aproveitamento de reservas minerais de potássio e fosfato, além do estímulo à fabricação de fertilizantes nitrogenados utilizando gás natural.
O programa associa a dependência externa à exposição dos produtores rurais às flutuações de preços internacionais. Para mitigar o problema, o candidato propõe expandir a infraestrutura de transporte e escoamento de gás natural com o apoio de investidores privados. Segundo o documento, o país desperdiça parte de seu potencial de gás no pré-sal por deficiências de infraestrutura, enquanto realiza importações.
A proposta abrange a criação de segurança jurídica e regras estáveis para atrair capital privado e integrar estados sem acesso atual à malha. Adicionalmente, o plano contempla destravar a exploração de gás não convencional por meio de fraturamento hidráulico (fracking), medida divulgada em agosto com o objetivo de ampliar a oferta de gás e reduzir custos energéticos, embora a técnica sofra oposição de ambientalistas.
Especialistas apontam limitações geológicas e econômicas: o teor de fósforo nas reservas brasileiras é inferior ao de fornecedores como o Marrocos, e a produção nacional de potássio atinge menos de 3% do consumo interno, de acordo com dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq-USP. Fontes do setor também indicam que o custo produtivo no Brasil supera o externo. O plano não fixa metas numéricas de produção, prazos ou valores de investimento.
Propostas de Lula
De acordo com o documento de Lula, a prioridade é acelerar a produção doméstica de fertilizantes com papel central da Petrobras. O texto aponta que os conflitos internacionais demonstraram a necessidade de autossuficiência e menciona a retomada de unidades industriais em Sergipe, Bahia e Paraná, além de obras em Mato Grosso do Sul.
O plano prevê concluir a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), empreendimento integrado ao Novo PAC que conta com investimentos superiores a R$ 5 bilhões, conforme informações da Agência Brasil.
Além da via industrial, o programa planeja expandir o fomento a bioinsumos para diminuir a dependência de insumos químicos estrangeiros, somando iniciativas de agroecologia, agricultura familiar e produção orgânica. A estratégia industrial e de transição energética também aponta para a atração de indústrias químicas, siderúrgicas e fábricas de fertilizantes movidas a energia renovável para a região Nordeste.
Assim como a oposição, o plano de Lula não especifica metas quantitativas para a participação da produção nacional frente ao consumo do país nem detalha um cronograma completo de investimentos exclusivos para a área.
Cenário da dependência externa
O Brasil figura entre os maiores consumidores mundiais de fertilizantes, absorvendo cerca de 8% do consumo global, conforme o Ministério da Agricultura. Soja, milho e cana-de-açúcar concentram mais de 73% da demanda interna. O Plano Nacional de Fertilizantes de 2022 estipulou como meta elevar a fabricação nacional para suprir de 45% a 50% da demanda interna até o ano de 2050.
Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/agro/fertilizantes-o-que-flavio-bolsonaro-e-lula-propoem-para-o-setor/
