O setor do agronegócio brasileiro iniciou nesta quinta-feira, em São Paulo, o Global Agribusiness Festival (GAFFFF). Realizado no Nubank Parque, o evento reúne produtores, especialistas, investidores, empresas e autoridades para debater os desafios da área, que lida com crédito mais caro, exigências por produtividade, busca por tecnologia e transformações no comércio internacional.
A organização do festival projeta a circulação de mais de 30 mil participantes ao longo dos dois dias de programação. A expectativa econômica da organização é alcançar mais de R$ 2 bilhões em negócios.
Durante a abertura, o deputado federal Arnaldo Jardim apontou o seguro rural, o crédito e a segurança jurídica como prioridades para a agenda do setor. Na ocasião, o parlamentar defendeu a aplicação integral da lei do seguro rural, que foi sancionada recentemente, e cobrou progressos na renegociação de dívidas dos produtores rurais. Segundo Jardim, a MP 1.379 ainda não está em plena implementação, tornando necessário retomar o diálogo para encontrar soluções para o endividamento no campo. Ele também manifestou apoio à aprovação da Lei do Safrista.
Sobre a discussão em torno da neutralidade política do agronegócio, o deputado pontuou que o conceito não deve representar a falta de programas e políticas públicas voltadas ao segmento, reforçando a exigência de segurança jurídica e atenção aos pedidos do setor produtivo.
O encontro ocorre em meio a um cenário de forte adaptação no mercado internacional de alimentos. Questões como barreiras sanitárias, tarifas e alterações regulatórias influenciam diretamente o planejamento de empresas exportadoras e produtores do país, cujo agronegócio representa um dos pilares das exportações nacionais.
Entre os debates programados, um dos painéis aborda a nova regulação global dos mercados e os reflexos da geopolítica no setor, contando com participações de membros do Ministério da Agricultura, da ApexBrasil e da indústria de proteína animal. A segurança alimentar também integra os tópicos centrais, com mesas de discussão formadas por delegados do Brasil, dos Estados Unidos e da União Europeia para analisar políticas agrícolas, produção de alimentos, crédito, seguro, infraestrutura e previsibilidade regulatória.
O financiamento aparece como outro ponto crítico devido aos juros elevados e à maior exigência dos bancos, tornando o acesso ao crédito um desafio para investimentos de longo prazo. A tecnologia ganha destaque com debates sobre a inteligência artificial, avaliada como uma potencial nova infraestrutura do setor para otimizar a gestão de propriedades, operações de maquinário e análises de dados.
Além das discussões econômicas e técnicas, o festival busca estreitar os laços entre o campo e o consumidor urbano, combinando a área de negócios com atrações de gastronomia, música e entretenimento. Esta edição paulista ocorre após a estreia do evento em Sorriso, no Mato Grosso, que contou com um público de 15 mil pessoas.
