A eventual proibição das bets no país pode trazer impactos severos para a economia brasileira, conforme apuração divulgada na sexta-feira, 25. O governo federal pode enfrentar uma perda de arrecadação de até 10 bilhões de reais por ano, o que agravaria a deterioração fiscal e dificultaria a queda de juros. O futuro desses tópicos depende do alcance da medida provisória que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que assinaria nesta sexta-feira, 25.
Segundo Ian Lopes, economista da Valor Investimentos, o governo federal arrecadou cerca de 9 bilhões de reais em 2025 com impostos sobre as apostas. O especialista afirma que o governo já lida com um sério problema fiscal e que permitir a diminuição da arrecadação não seria uma boa alternativa, tornando o fim das bets danoso para as contas públicas.
Caso a decisão atinja toda a operação das bets no Brasil, as companhias consideram inevitável o encerramento dos acordos. Se as restrições se limitarem a cassinos online e outros jogos de azar, a tendência é a renegociação dos pactos, com cortes nos valores repassados aos clubes.
Impactos no futebol e patrocínios
O esporte também deve sofrer consequências. Em 2025, os contratos de patrocínio entre casas de apostas e equipes da Série A movimentaram mais de 1 bilhão de reais, montante que representou cerca de 7% de toda a receita dos 20 clubes, que somaram quase 15 bilhões de reais no ano. Dos 20 clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro, 14 contavam com empresas de apostas como patrocinadoras máster.
Entre os exemplos citados estão:
- Flamengo: recebe 268 milhões de reais por ano da Betano, que detém 25% do mercado brasileiro de apostas e dá nome ao Brasileirão Betano.
- Palmeiras: o acordo com a Sportingbet chegou a 120 milhões de reais em 2025, com 100 milhões de reais em parcela fixa.
- São Paulo: o contrato com a Superbet prevê 80 milhões de reais em 2026.
- Fluminense: patrocinado pela Superbet, o acordo é de até 86 milhões de reais.
Outros times da Série A também possuem ou possuíam vínculos com operadoras, como Corinthians (Esportes da Sorte), Atlético-MG (H2bet), Santos (Blaze/7K), Bahia (Viva Sorte Bet), Vasco (Betfair), Grêmio e Internacional (Alfa), Vitória (7K), Cruzeiro (Betfair), Botafogo (Vbet), Remo (ObaBet), Athletico-PR (Viva Sorte Bet), Coritiba (Reals), Chapecoense (Zero Um), Bragantino (Betfast) e Mirassol (7K). Em 2026, algumas equipes trocaram de parceiras, enquanto outras tiveram os patrocínios cancelados.
Mercado publicitário e setores conexos
A medida planejada pelo governo também pode abranger uma fatia maior do setor de publicidade. Um estudo do Itaú aponta que as empresas de apostas investem entre 5,8 bilhões de reais e 8,8 bilhões de reais anualmente em marketing no Brasil, abrangendo mídia digital, rádio, televisão, influenciadores, transmissões esportivas e patrocínios.
De acordo com Ian Lopes, outros segmentos também podem ser prejudicados, a exemplo de festas, carnaval e canais esportivos patrocinados pelo setor. Os danos econômicos seriam severos frente ao anseio governamental.
A movimentação do governo ocorre em um cenário de forte apoio popular à proibição. Uma pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada na quarta-feira, 23, indicou que 75% dos brasileiros são favoráveis à medida, enquanto 17% se posicionaram contra.
Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/o-que-esta-em-jogo-do-ponto-de-vista-economico-com-fim-das-bets/
