O cenário político brasileiro voltou a atrair os holofotes da imprensa internacional após o desempenho do senador Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial. Em um editorial publicado na segunda-feira 5 sob o título “Brazil’s Bolsonaro comeback exposes Lula’s weakness”, o jornal britânico Financial Times avaliou que a forte possibilidade de retorno da família Bolsonaro ao poder reflete menos os méritos do candidato e mais as limitações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
De acordo com o periódico, a resposta para o avanço dos Bolsonaros à beira do poder está no fracasso de Lula, classificando Flávio Bolsonaro como um candidato medíocre. O jornal lembra que, no ano passado, o Brasil recebeu reconhecimento internacional ao condenar Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Contudo, a polarização persistente e a desconfiança institucional alimentada pelas redes sociais impediram que o atual presidente eliminasse a força do bolsonarismo.
Vulnerabilidades do governo e críticas econômicas
O texto aponta que Lula acabou sendo responsabilizado por falhas de terceiros, citando como exemplo o escândalo do Banco Master. Embora o petista não estivesse diretamente ligado ao caso — diferentemente de Flávio Bolsonaro, que pediu financiamento ao banqueiro Daniel Vorcaro para produzir um filme sobre seu pai chamado “Dark Horse” —, a forte rejeição pública diante da percepção de corrupção nas elites prejudicou gravemente o presidente.
Entre as principais fragilidades da gestão atual, o Financial Times destaca:
- A falta de respostas convincentes ao avanço do crime organizado;
- A condução da política fiscal, marcada por juros altos que continuam a penalizar 82% das famílias brasileiras endividadas;
- O isolamento político decorrente do retorno de Lula à zona de conforto do Partido dos Trabalhadores, após ter sido eleito em 2022 com o apoio de legendas de centro;
- A percepção de Lula como parte da “mobília de Brasília”, ao disputar sua sétima campanha presidencial desde 1989 e buscar um quarto mandato.
Riscos institucionais e cenário eleitoral
O avanço de Flávio Bolsonaro ao segundo turno com 47% dos votos válidos, superando os 45% de Lula, insere o Brasil no contexto de vitórias de candidatos alinhados à direita e a Donald Trump na América Latina. Contudo, o editorial alerta que uma eventual vitória do senador pode provocar uma nova crise institucional, especialmente se ele tentar cumprir a promessa de conceder indulto ao pai sem o aval do Congresso.
Além disso, o jornal aponta que um possível novo governo teria de lidar com a situação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio que vive nos Estados Unidos e foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentar interferir no processo contra o pai.
Por fim, o periódico ressalta que uma eventual recuperação tardia de Lula não pode ser descartada, sobretudo se surgirem novas denúncias de corrupção contra seu oponente, mas enfatiza que as fragilidades do atual presidente ficaram evidentes durante a disputa.
