O Flamengo se posicionou publicamente na sexta-feira (25) por meio de uma nota oficial para expressar preocupação diante de um eventual encerramento das atividades de apostas esportivas, conhecidas como bets, no Brasil. Em comunicado, o clube afirmou que a medida não eliminará os jogos, mas prejudicará a atuação do Estado na regulação e fiscalização.
De acordo com o clube carioca, a proibição afetaria diretamente o setor esportivo, além de colocar em risco investimentos, empregos e compromissos firmados dentro das normas estabelecidas pelo país. A instituição ressaltou que a segurança jurídica é essencial para qualquer empresa ou setor que realize planejamentos a longo prazo no território nacional.
Discussões sobre a Medida Provisória e impactos no mercado
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que pretende publicar uma Medida Provisória (MP) direcionada às bets, embora o teor exato ainda não tenha sido detalhado. As discussões no governo envolvem desde um veto total até proibições parciais, como o fim de cassinos online e de campanhas publicitárias. O texto da MP possui validade inicial de 60 dias, prorrogáveis por igual período, e precisa ser validado pelo Congresso Nacional para não perder a eficácia.
Entidades do setor, como o Instituto Brasileiro do Jogo Responsável, sinalizaram que recorrerão à Justiça caso ocorra a proibição total. Representantes do mercado argumentam que o banimento das empresas legais empurraria os apostadores para o ambiente clandestino. Dados do setor indicam que o mercado ilegal já responde por uma fatia expressiva do volume de apostas, e a consultoria LCA estima que a perda de arrecadação pública entre 2027 e 2030 pode alcançar até R$ 73 bilhões caso toda a demanda migre para operadores sem regulamentação.
Clubes e patrocínios afetados
O manifesto do Flamengo acompanha um movimento conjunto de outras equipes e empresas de apostas — como Sportingbet, Betano, Betnacional e Superbet — que mantêm contratos de patrocínio com clubes de destaque no futebol brasileiro, incluindo Palmeiras, Vasco, Cruzeiro, Fluminense e São Paulo. Diversas agremiações já haviam se manifestado anteriormente para defender a manutenção das empresas reguladas, apontando que as receitas são fundamentais para a manutenção de estruturas administrativas, categorias de base, futebol feminino, modalidades olímpicas e projetos sociais.
O clube carioca reforçou que o combate ao jogo clandestino deve ocorrer por meio do aprimoramento da fiscalização e punição aos infratores, e não com a desmontagem do atual marco regulatório, ponderando que o esporte e a arrecadação pública não podem ser enfraquecidos por uma decisão repentina.
