O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) adotou uma estratégia de apontar o que considera um discurso de "desespero" e de "promessas vazias" por parte do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A movimentação ocorre na reta final do primeiro turno, período em que Flávio registra crescimento nas pesquisas de intenção de voto, enquanto Lula aparece estagnado, embora ambos costumem figurar tecnicamente empatados em simulações de segundo turno.
A estratégia da campanha de Flávio consiste em explorar anúncios recentes feitos pelo petista em áreas sensíveis para o eleitorado, como custo de vida, renda e saúde. Entre as medidas criticadas estão o reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado na quinta-feira (17) a 17 dias da eleição, e a promessa de oferta de canetas emagrecedoras pelo SUS para pacientes com obesidade e prescrição médica.
Na avaliação da equipe de Flávio, Lula estaria tentando responder, às vésperas da votação, a problemas que deveriam ter sido enfrentados ao longo do mandato. Mensagens divulgadas pela equipe a apoiadores em grupos de WhatsApp questionam os resultados dos governos anteriores do petista e afirmam que a prosperidade do país não seria resultado de medidas anunciadas em período eleitoral.
Com o reajuste do Bolsa Família, o benefício médio passará de R$ 675 para R$ 777, enquanto o piso subirá de R$ 600 para R$ 691. O governo federal sustenta que a correção recompõe a inflação, gerando impacto fiscal de R$ 5,8 bilhões em 2026 e de cerca de R$ 22 bilhões em 2027.
Em ato de campanha realizado em Vitória da Conquista (BA), Flávio declarou que o ato seria ilegal e proibido durante as eleições. Contudo, a equipe avaliou que a medida tem caráter eleitoral, mas decidiu não recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o reajuste para evitar que a campanha petista o associe como oposição ao programa social. Em transmissão ao vivo realizada mais tarde no mesmo dia, o candidato argumentou que o aumento de R$ 91 no benefício não causará impacto real na qualidade de vida, visto que o poder de compra não acompanharia o aumento dos preços.
Em outra frente, a campanha passou a mirar a promessa de Lula de disponibilizar medicamentos à base de semaglutida pelo SUS, anunciada durante visita a uma unidade da Eurofarma, em Minas Gerais. Segundo o Ministério da Saúde, 250 pacientes do SUS serão acompanhados inicialmente em um estudo voltado a pessoas com obesidade grave ou associada a outras morbidades.
A equipe de Flávio avalia que as novas propostas não têm capacidade de alavancar a candidatura do atual presidente. Um aliado afirmou que Lula teve quatro anos para realizar ações inéditas para resolver o custo de vida. A fala faz referência à nova estratégia de comunicação da campanha de Lula, que passou a concentrar a propaganda eleitoral em temas como preço dos alimentos, renda e poder de compra, enquanto a campanha petista também prepara promessas como a ampliação do teto de faturamento de microempreendedores individuais.
