O segundo turno da eleição presidencial brasileira colocará frente a frente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro no próximo dia 25. Na etapa inicial da votação realizada no primeiro domingo de outubro, Flávio superou o atual mandatário por uma diferença de 2,26 milhões de votos, impulsionado pelo fortalecimento da direita e pelo desempenho nas regiões Sul e Sudeste.
Após o primeiro turno, a bolsa brasileira bateu recorde e o dólar e os juros futuros despencaram, em meio a alianças firmadas pelo candidato de oposição com partidos do Centrão e da direita, além do apoio de derrotados na disputa presidencial e de representantes do mercado financeiro. "Está decretado o fim da era do PT", declarou Flávio Bolsonaro.
Em desvantagem histórica, Lula enfrentará o desafio de quebrar um tabu da redemocratização, visto que todos os vitoriosos do primeiro turno até hoje conquistaram o mandato presidencial. Na comparação com 2022, o petista registrou 3,38 milhões de votos a menos, apresentando queda de musculatura inclusive no Nordeste. Para reverter o placar, a campanha governista aposta em reduzir a abstenção, que atingiu 21,08% no primeiro turno com cerca de 33,4 milhões de eleitores ausentes, e em captar parte dos 9 milhões de votos de candidatos derrotados.
O cientista político Antonio Lavareda estima que Lula perdeu pelo menos 5 pontos percentuais, ou 8 milhões de votos, para a abstenção, concentrada entre eleitores de baixa renda e menor escolaridade. Diante do cenário, Lula reorganizou sua coordenação de campanha sob o comando do presidente do PT, Edinho Silva, com o reforço do senador Camilo Santana. Além disso, a estratégia de comunicação digital foi reformulada para adotar um tom mais direto e focado na desconstrução da imagem do adversário.
Por sua vez, Flávio Bolsonaro ampliou sua base política ao receber apoio do PP, do União Brasil, do Republicanos e do Novo, além da adesão formal de candidatos derrotados como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo). O PL, partido do clã Bolsonaro comandado por Valdemar Costa Neto, elegeu as maiores bancadas da Câmara, com 121 deputados, e do Senado, com 28 representantes, tendo o senador Rogério Marinho como pré-candidato para comandar a Casa a partir do próximo ano.
Entre as propostas apresentadas para um eventual governo, Flávio Bolsonaro declarou a intenção de acabar com a reeleição e reduzir a maioridade penal, além de sinalizar mudanças na Constituição e reformas no Judiciário, enquanto o mercado financeiro reagiu com euforia e investidores injetaram 10 bilhões de reais na bolsa brasileira no pregão seguinte ao primeiro turno.
