O senador e candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, declarou que, caso seja eleito, o Brasil passará a integrar o Escudo das Américas. A iniciativa consiste em um pacto encabeçado pelos Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, ao lado de catorze nações da América Latina e do Caribe governadas pela direita.
O acordo tem entre suas diretrizes a execução de medidas coordenadas voltadas ao combate de 24 chamadas redes narcoterroristas armadas, o que engloba as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho e PCC. Em transmissão realizada ao vivo na última quinta-feira (24), o parlamentar criticou duramente a política de segurança do atual governo e assegurou a entrada do país na aliança no próximo ano.
A articulação internacional prevê sanções contra facções, ações coletivas de enfrentamento e a união de esforços para a defesa da soberania dos países signatários. O pacto também menciona a salvaguarda de cadeias de suprimento de minerais críticos por meio de fontes diversificadas, apontada como uma medida voltada a conter a influência da China na região.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva manifestou reticência e foi apego de surpresa com a inclusão de facções do Brasil na lista de alvos da aliança sem consulta prévia.
Alertas de segurança e defesa da cooperação
Em entrevista concedida ao programa Ponto de Vista, da VEJA, na véspera do anúncio conjunto feito por Trump e aliados, o ex-secretário nacional de Segurança Pública Mario Sarrubbo expressou preocupação. Segundo ele, há riscos de que nações vizinhas governadas por aliados de Washington — a exemplo de Bolívia, Peru e Colômbia — executem operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra o crime organizado na região amazônica, transpondo as fronteiras brasileiras.
De acordo com Sarrubbo, a Amazônia representa uma área vulnerável e ações conduzidas sem a concepção e a execução do Brasil podem representar ameaças à soberania do país.
Por outro lado, o coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, senador Rogério Marinho (PL-RN), defendeu a iniciativa em entrevista às Páginas Amarelas. Para Marinho, o Escudo das Américas representa uma cooperação considerada normal e saudável nos moldes de organismos multilaterais ocidentais, criticando a postura da gestão atual em relação ao tema.
- Flávio Bolsonaro promete adesão do Brasil ao Escudo das Américas em 2025
- Acordo liderado por Donald Trump visa combater narcoterrorismo e facções como PCC e Comando Vermelho
- Governo Lula demonstra reticência com inclusão de grupos brasileiros e menção a minerais críticos
- Ex-secretário Mario Sarrubbo aponta riscos à soberania na Amazônia
- Coordenador de campanha Rogério Marinho defende a cooperação internacional
