Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ideia e divulgada nesta quarta-feira (21) mostra um empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. Os candidatos registraram, respectivamente, 51,1% e 48,9% dos votos válidos. Em entrevista ao programa CNN Novo Dia, o fundador do instituto, Mauricio Moura, apontou que o cenário é impulsionado pelo baixo índice de aprovação da gestão federal.
De acordo com o especialista, a vantagem de dois pontos percentuais obtida por Flávio Bolsonaro situa-se dentro da margem de erro, o que demonstra o elevado nível de equilíbrio na disputa eleitoral. Moura destacou que medidas recentes promovidas pelo governo, a exemplo de incentivos para microempreendedores individuais e a sanção da PEC voltada ao fim da escala 6x1, não foram suficientes para reverter o quadro de avaliação negativa da administração.
Aprovação governamental e o teto de popularidade
Para o fundador do Ideia, a aprovação do governo funciona como um termômetro direto da intenção de voto, cenário típico de eleições marcadas por tentativas de reeleição. “A aprovação de governo é basicamente o resultado da intenção de voto”, afirmou Moura, acrescentando que o eleitor chega ao segundo turno fundamentado no julgamento da gestão vigente.
O levantamento aponta que o atual governo apresenta um teto de popularidade historicamente baixo. Segundo a análise, o conjunto de eleitores que votou no adversário no segundo turno de 2022 nunca apoiou a administração de Lula. Além disso, a gestão teria perdido de três a quatro pontos percentuais entre apoiadores anteriores que migraram para a reprovação — fatia que, conforme o especialista, equivale exatamente ao crescimento de Flávio Bolsonaro em relação ao desempenho de Jair Bolsonaro (PL) no pleito de 2022.
Desempenho da terceira via e migração de votos
No primeiro turno, a chamada terceira via registrou o pior resultado desde 1989, sem que nenhum concorrente atingisse a marca de 3% dos votos válidos. O fenômeno foi classificado por Mauricio Moura como um “antipetismo de chegada”, movimento no qual eleitores simpáticos a alternativas iniciais direcionaram seus votos a Flávio Bolsonaro por enxergá-lo como o nome mais viável para afastar o PT do poder.
A maior parte dos postulantes derrotados no primeiro turno declarou apoio a Flávio Bolsonaro para a etapa seguinte, incluindo Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), com exceção de Renan Santos (Missão). Contudo, o fundador do Ideia ponderou que o poder de influência dessas lideranças sobre suas bases é reduzido, visto que o eleitor demonstra independência na escolha. Como exemplo, dados de transferência de votos indicaram que cerca de 90% dos eleitores de Renan Santos migraram para o candidato do PL.
Abstenção, debates e o eleitor decisivo
Com cerca de 33,4 milhões de abstenções registradas no primeiro turno, o engajamento de quem não compareceu às urnas tornou-se um dos focos das campanhas. Mauricio Moura apontou que Lula lidera entre os eleitores absenteístas que manifestam intenção de votar no segundo turno, o que representa um dado positivo para a campanha petista. Por outro lado, o especialista alertou que o histórico de mobilização de eleitores entre os dois turnos é escasso.
Para reverter o quadro, a campanha de Lula precisaria não apenas capturar os votos de quem se absteve, mas também converter eleitores de Flávio Bolsonaro. Em contrapartida, a campanha do candidato do PL possui potencial de expansão, sobretudo no estado de São Paulo.
Sobre os debates televisivos, Moura avaliou que o encontro realizado não colaborou para atenuar a rejeição mútua e acabou por desengajar eleitores indecisos. O especialista pontuou que o debate agendado para sexta-feira (23) funciona como uma oportunidade crucial tanto para consolidação de lideranças quanto para eventuais reviravoltas.
No que tange às redes sociais, Moura reconheceu a relevância estratégica das plataformas, mas ponderou que o público definidor do pleito — identificado como mulheres empreendedoras residentes nas periferias de grandes cidades do Sudeste — é justamente o menos ativo nesses meios. Conforme o especialista, esse segmento costuma definir seu voto na reta final da campanha e pode sofrer influência direta de debates com ampla transmissão. O levantamento também indica que a perda de espaço do governo junto às mulheres está ligada a pautas econômicas e de segurança pública.
