Os candidatos finalistas da eleição presidencial de 2026, Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula, colocaram como prioridade em suas campanhas o combate à abstenção recorde registrada no primeiro turno, que alcançou 21,1% do eleitorado, equivalente a 33,4 milhões de pessoas ausentes.
A disputa na rodada inicial marcou uma diferença de 2,2 milhões de votos a mais para Flávio Bolsonaro em relação a Lula. Para tentar reverter o cenário e buscar a vitória no próximo dia 25, os dois lados estruturaram estratégias voltadas a convencer os eleitores faltosos a comparecerem às urnas.
Na avaliação da campanha petista, reduzir a abstenção é visto como um dos caminhos para alcançar a virada. “São 30 milhões que não foram votar. Possivelmente tem uma causa: desinteresse. A responsabilidade é nossa de devolver o interesse para ele participar do processo eleitoral”, declarou Lula. Um documento interno do PT aponta que, se ao menos 40% dos ausentes do primeiro turno votarem no atual presidente — o equivalente a mais de 13 milhões de eleitores —, a eleição estaria ganha. O partido planeja uma força-tarefa com carreatas, panfletagem e abordagens corpo a corpo lideradas por prefeitos e aliados, respeitando a proibição legal de oferta de transporte eleitoral.
A estratégia do petista também foca em redutos onde obteve votações expressivas na primeira etapa, como no Nordeste. Na Bahia, onde Lula teve 66,2% dos votos válidos contra 28,5% do adversário, o governador Jerônimo Rodrigues, o senador Jaques Wagner e o ex-ministro Rui Costa trabalham para elevar a votação do presidente para 75% no segundo turno. Movimentos semelhantes ocorrem no Ceará, com Elmano de Freitas e Camilo Santana buscando ampliar o resultado em 500 mil votos, além do engajamento de Rafael Fonteles no Piauí e Lucas Ribeiro na Paraíba.
Por outro lado, a campanha de Flávio Bolsonaro prioriza o combate à abstenção e à desmobilização. A vantagem no primeiro turno e o bom desempenho de aliados do PL e da direita na Câmara, no Senado e em governos estaduais geraram um clima de “já ganhou” no QG bolsonarista, o que acendeu alertas diante das manifestações pró-Lula e da movimentação petista nas redes sociais.
O senador busca evitar a dispersão de eleitores que rejeitam a continuidade do mandato de Lula. Para conter essa desmobilização em São Paulo — onde Flávio obteve 51,9% dos votos válidos no primeiro turno contra 38,2% de Lula —, a campanha aposta na dupla formada pelo governador Tarcísio de Freitas e pelo prefeito Ricardo Nunes, que tentam ampliar a vantagem da oposição no estado mais populoso do país.
Dados de pesquisa divulgada pela Quaest no dia 14 mostram que 43% dos eleitores que anularam, votaram em branco ou faltaram no primeiro turno pretendem votar em Lula no segundo turno, enquanto 38% declaram intenção de votar em Flávio Bolsonaro. O senador também conta com apoios de partidos do Centrão e de ex-presidenciáveis como Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema.
