A Promotoria do estado da Flórida, nos Estados Unidos, anunciou nesta segunda-feira, 19, a apresentação de acusações de assassinato e a emissão de um mandado de prisão contra o ex-presidente cubano Raúl Castro, irmão de Fidel Castro. O caso está relacionado ao abate fatal de dois aviões ocorrido em 1996.
Durante coletiva de imprensa, o promotor da Flórida, James Uthmeier, informou que foram apresentadas acusações estaduais contra Raúl Castro, incluindo um mandado de prisão por conspiração para cometer homicídio em primeiro grau. Segundo Uthmeier, o ex-presidente cubano ordenou o assassinato a sangue frio de quatro moradores da Flórida, e o estado jamais deixará de buscar justiça.
O episódio aconteceu em 24 de fevereiro de 1996, quando caças MiG-29 da Força Aérea de Cuba derrubaram duas aeronaves operadas pelo grupo humanitário Hermanos al Rescate, fundado por exilados cubanos. O ataque ocorreu em espaço aéreo internacional e resultou na morte de quatro pilotos.
Na época do incidente, o governo cubano justificou a ação como uma resposta legítima à invasão de seu espaço aéreo. Fidel Castro declarou que os militares agiram sob ordens permanentes para abater aeronaves que violassem os céus de Cuba, assegurando que seu irmão Raúl, que atuava como ministro da Defesa no período, não havia emitido uma ordem específica de disparo. Contudo, além dos Estados Unidos, a Organização da Aviação Civil Internacional concluiu que a derrubada ocorreu em águas internacionais.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já havia aberto um processo formal contra Castro por assassinato em 20 de maio deste ano, conforme apontam documentos judiciais. Na ocasião, o procurador-geral, Todd Blanche, afirmou que esperava ver Raúl Castro preso e declarou que os Estados Unidos e o presidente Trump não se esquecem de seus cidadãos, durante evento em homenagem às vítimas em Miami. Já o procurador federal para o Distrito Sul da Flórida, Jason Reding Quiñones, explicou que o sistema judicial americano permite processos separados nas esferas federal e estadual, cada uma seguindo seu próprio curso.
Especialistas avaliam como improvável que o ex-líder cubano compareça perante um tribunal americano, embora a nova acusação estadual amplie o cerco judicial.
O chanceler cubano, Bruno Rodríguez, classificou as acusações como infundadas. Por meio da rede social X, o ministro condenou o que chamou de manobra estéril de políticos anticubanos do sul da Flórida contra o general Raúl Castro Ruz, definindo as imputações como reflexo da podridão política e do colapso moral de um grupo que fraudaria seus apoiadores. A medida ocorre em um cenário de crescentes tensões diplomáticas e econômicas entre Cuba e Estados Unidos, intensificadas por um embargo energético imposto pelo governo Trump que agrava a crise econômica histórica na ilha.
