A dívida pública global tem projeção de ultrapassar 100% do Produto Interno Bruto (PIB) antes do ano de 2030, conforme advertência divulgada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Atualmente, o endividamento público mundial já atinge a marca de aproximadamente 95% de tudo o que é produzido pelo planeta em um período de um ano.
O aviso foi feito nesta quarta-feira (7) por Kristalina Georgieva, diretora-gerente do fundo. Na ocasião, a dirigente também apontou a inflação persistente e os valores elevados da energia como fatores de risco para a expansão da economia global. Segundo ela, o conflito no Oriente Médio gerou um impacto negativo na oferta energética, ao passo que a atividade econômica continua sob pressão devido à forte demanda.
O FMI detalhou que a dívida pública global está no patamar mais elevado desde o período da Segunda Guerra Mundial. Entre os países que apresentam os maiores níveis de endividamento em relação às suas dimensões econômicas estão as economias avançadas, com destaque para os Estados Unidos.
Para enfrentar o cenário, Georgieva avalia que os governos não devem se apoiar exclusivamente no crescimento econômico para ajustar suas contas públicas. A diretora-gerente defendeu que nações com altos níveis de dívida implementem planejamentos de médio prazo voltados à redução de déficits, complementados por ações fiscais imediatas quando necessário.
Impacto dos preços de energia na inflação
De acordo com o FMI, o petróleo segue cotado próximo a US$ 100 por barril. A restrição na capacidade de refino tem impulsionado as margens de produtos derivados como o diesel. O cenário tende a sofrer nova pressão com a chegada do inverno no Hemisfério Norte, época em que a procura por energia se eleva.
O fornecimento de gás natural também permanece limitado em razão dos riscos ao transporte de gás natural liquefeito (GNL) pelo Estreito de Ormuz. Georgieva destacou que, mesmo com um eventual encerramento breve da guerra no Golfo, a problemática dos preços elevados de energia deve perdurar por um período, com contratos futuros do petróleo Brent apontando patamares altos até 2027.
Projeções econômicas e inflação persistente
As novas estimativas do FMI serão apresentadas nas Reuniões Anuais do FMI e do Banco Mundial na próxima semana e devem trazer revisões para baixo nas expectativas de crescimento de nações diretamente afetadas pela guerra, a exemplo da Ucrânia e de países do Golfo. Em julho, a projeção mais recente do fundo indicava altas de 3% para a economia global em 2026 e de 3,4% em 2027.
O FMI apontou que as pressões sobre a inflação persistem após cinco anos e meio acima das metas estipuladas pelos bancos centrais. O quadro é mantido por fatores como custos de energia e alimentos, tarifas comerciais, maiores despesas com defesa e o encarecimento do serviço da dívida.
Diante desse contexto, Georgieva sinalizou a necessidade de manter uma política monetária considerada prudentemente restritiva em diversas nações. A dirigente reforçou a importância da independência dos bancos centrais, advertindo que as autoridades monetárias devem evitar intervenções destinadas a facilitar o financiamento de governos.
Fonte: https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/10/07/divida-pib-fmi.ghtml
