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Economia

FMI alerta que inteligência artificial pode afetar 40% dos empregos globais

Dirigentes do FMI e do Banco Mundial alertaram em Bangkok sobre o impacto da inteligência artificial em 40% dos postos de trabalho globais e os desafios para os jovens.

Redação•12 de out. de 2026, 15:30
FMI alerta que inteligência artificial pode afetar 40% dos empregos globais
Imagem: site

FMI alerta que inteligência artificial pode afetar 40% dos empregos globais

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Dirigentes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial alertaram nesta segunda-feira, 12, em Bangkok, na Tailândia, que o avanço da inteligência artificial (IA) ameaça transformar o mercado de trabalho e dificultar a inserção profissional dos jovens. Durante as reuniões anuais das instituições, os representantes defenderam medidas para preparar a mão de obra e estimular contratações.

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, classificou o impacto da tecnologia sobre o emprego como um “tsunami de movimento lento” e afirmou que cerca de 40% dos postos de trabalho no mundo poderão ser afetados por meio da automação, transformação de funções ou eliminação de vagas. Os jovens estão entre os mais vulneráveis, pois costumam iniciar a carreira em atividades administrativas e repetitivas que agora podem ser executadas pela IA, estreitando a porta de entrada para o mercado e comprometendo a aquisição de experiência.

O presidente de Singapura, Tharman Shanmugaratnam, copresidente do Conselho de Empregos do Banco Mundial, apontou uma redução na demanda pelo primeiro emprego após a graduação e mencionou sinais de enfraquecimento na procura por profissionais com diploma superior nos Estados Unidos, além da queda no prêmio salarial associado à formação. Ele defendeu que políticas anticrise — como incentivos para contratação de recém-formados e alinhamento entre educação e setor produtivo — passem a integrar permanentemente as ferramentas de estímulo ao emprego.

Por sua vez, o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, destacou que cerca de 1,2 bilhão de jovens em países em desenvolvimento atingirão a idade de trabalhar nos próximos dez a 15 anos. As projeções apontam que essas regiões devem gerar aproximadamente 400 milhões de postos, resultando em um déficit potencial de 800 milhões de oportunidades. Banga ressaltou que o cálculo compara a chegada de jovens à idade ativa com o número projetado de vagas, sem considerar integralmente a informalidade ou o empreendedorismo, mas demonstrou preocupação com a dimensão da diferença.

Para contornar o problema, Banga defendeu que governos atraiam investimentos privados por meio da expansão de infraestrutura, melhoria do ambiente de negócios e redução de riscos. Ele também sugeriu o desenvolvimento de ferramentas de IA mais simples e acessíveis para áreas como agricultura, saúde e educação, beneficiando pequenos produtores e profissionais em vez de concentrar os ganhos apenas em grandes corporações.

Apesar dos riscos de ampliação das desigualdades, os investimentos em IA têm impulsionado a economia. Georgieva indicou que gastos com tecnologia ajudaram a sustentar o crescimento mundial próximo de 3% em 2026. O FMI estima que a adoção da IA possa elevar em até 1 ponto percentual o crescimento das economias avançadas da Ásia e até 0,8 ponto nas emergentes da região. Contudo, o impacto varia: cerca de 60% dos empregos em economias avançadas estão expostos à tecnologia, ante 23% em países de baixa renda, reflexo do acesso mais restrito e da adoção mais lenta nesses locais.

Tharman alertou que o crescimento econômico isolado, visto em países como China, Índia e nações do Sudeste Asiático, não garante a criação proporcional de vagas. As autoridades reforçaram que, como a transformação ocorre gradualmente, governos, empresas e universidades ainda dispõem de tempo para capacitar os trabalhadores por meio de treinamento prático.

Fonte: https://veja.abril.com.br/economia/fmi-alerta-para-tsunami-da-inteligencia-artificial-sobre-40-dos-empregos-no-mundo/

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